Crônicas & Opiniões

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Jesus Guimarães


As palavras de um presidente da República podem inibir ou estimular comportamentos antes mesmo que sejam regulados por lei. Daí a responsabilidade que ele tem quando faz declarações. 

Bolsonaro é o principal culpado pelo aumento do desmatamento da Amazônia, denunciado pelo INPE e agora confirmado pela NASA, como é pelas queimadas que destroem centenas (ou milhares?) de hectares de floresta, inclusive em áreas de preservação. 

Há formas diversas de desmatar: com a moto-serra, opção dos madeireiros, com o correntão ou com o fogo, soluções que podem servir aos grandes agropecuaristas. Todos esses têm ouvido, e a maioria aplaudido, os seguidos discursos de Bolsonaro a favor do desmatamento da Amazônia sob o pretexto que será o caminho para o progresso na região, como um sinal verde para que os aventureiros lancem mão desses expedientes para acelerar os ataques à floresta. 

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, inimigo da natureza e cúmplice daqueles que pretendem destruí-la (responde a processo em SP), faz obviamente o mesmo discurso e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, colabora retirando bases de apoio da Força Nacional ao IBAMA para o combate a incêndios na época da seca naquela região. 

O solo da floresta amazônica não é fértil, possui uma restrita camada de matéria orgânica que se encontra na superfície, conhecida como húmus. Essa fina camada fértil é oriunda da própria floresta. “Nela, os organismos vivos como insetos, fungos, algas e bactérias, reciclam os nutrientes dispostos no ambiente...”, sendo certo que, derrubadas as árvores, em pouco tempo as terras estarão reduzidas a nada. Enganam-se aqueles que desfrutam a fertilidade encontrada nas margens dos rios. Elas se limitam a essas faixas, pois decorrem exclusivamente do trabalho das cheias que ali depositam material orgânico trazido de longe. 

Mas Bolsonaro não recua, quer porque quer arregaçar a Amazônia: há madeira, há terra e minérios, tudo a ser explorado por um bando de irresponsáveis que tem como objetivo apenas extrair riquezas enquanto elas existirem, sem considerar o alto preço que se pagará por essa temeridade. 

Nero incendiou Roma e enquanto as labaredas devoravam a cidade, ele “tocava” lira para embalar sua loucura de gênio do mal; Bolsonaro incentiva a destruição da Amazônia; motivados, os pecuaristas criam o Dia do Fogo para atear fogo na mata simultaneamente. Enquanto ela queima faz semanas, inerte e maravilhado ele assiste ao espetáculo a dizer que foram as ONGs que atearam fogo...

Jesus Guimarães é professor, bacharel em Direito, funcionário aposentado do BB e ex-prefeito de Tupã. E-mail: zuguim@uol.com.br

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