Lula não muda

Política


(*) Roberto Kawasaki

26/11/2021 - Estava demorando o candidato Lula continuar moderado, com suas poucas falas comprometedoras. Na entrevista ao jornal espanhol El Pais, questionado pelos 16 anos no poder de Daniel Ortega, na Nicarágua, ele disse que se Angela Merkel, da Alemanha, pode ficar 16 anos no poder, bem como Felipe Gonzalez ficou 14 anos no poder da Espanha, porque Ortega não pode ficar no poder na Nicarágua ? Ora, responderam os jornalistas, porque tanto a Alemanha quanto a Espanha são democracias, e eleições limpas possibilitaram que os dois mandatários da Alemanha e da Espanha pudessem ficar no poder. O que evidentemente não ocorre na Nicarágua.
Aliás, o que é contraditório é que Daniel Ortega compunha com outros líderes uma frente de oposição a Anastasio Somoza, ditador nicaraguense, em 1979. A Frente Sandinista de Libertação Nacional depôs o ditador Somoza, e hoje, Ortega é o ditador de plantão na Nicarágua. Apoiado por Lula.
Lula também apoia a ditadura cubana, bem como a ditadura venezuelana. Da mesma forma, a ex-presidente Dilma também apoia a ditadura chinesa, em oposição aos países ocidentais. De fato, tanto Dilma quanto Lula não mudaram nada. É bom lembrar que Xi Jinping está concentrando poder tanto quanto Mao Tse Tung e Deng Xiaoping concentraram poder em outras épocas da história da China.
Certamente que o problema de Lula não será essa questão da Nicarágua de Daniel Ortega. A eleição passará por outros caminhos.
No entanto, nunca é demais lembrar que o PT não muda. Foi contra a eleição de Tancredo, foi contra a Constituição de 1988, foi contra o Plano Cruzado, bem como os outros planos econômicos que visavam debelar a inflação brasileira. Também foi contra o Plano Real, sucesso absoluto no combate à inflação, foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, é contra o Teto de Gastos. Por outro lado, arquitetou o Mensalão, o Petrolão, promoveu a farra do gasto do dinheiro público na realização da Copa do Mundo de 2014, quando se gastou com estádios de futebol como nunca se fez na história brasileira. Também conseguiu trazer a Olimpíada do Rio em 2016, outra farra de gastos do dinheiro público.
É, não tem jeito. Hoje, se Lula for contido e não der declarações que possam prejudicar sua candidatura às eleições de 2022, é favorito, neste momento, a ganhar a Presidência da República. Para desencanto geral dos que sabem o que foram os anos petistas de 2003 a 2016, que conduziu o Brasil à crise ainda vivenciada por todos nós. Sem Lula e Dilma não haveria Bolsonaro. Mas isso é outra questão.
A verdade é que democratas não podem enfileirar bandeiras tanto para Bolsonaro quanto para Lula. Há outras opções. Continuo emedebista e minha candidata de coração chama-se senadora Simone Tebet. A mesma senadora que se destacou na CPI da Covid-19.

(*) Roberto Kawasaki é economista
pela FEA-USP, professor dos cursos de
Administração, Sistemas de Informação,
Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo,
Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da Faccat e articulista do DIÁRIO

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