Templo budista prepara festa de Bon Odori

Geral


O templo budista Tupã Honguanji realizará amanhã, sábado, dia 24, a partir das 19 horas, a tradicional festa de Bon Odori. A festividade é parte final da programação da Missa de Finados budista.
A ornamentação do Bon Odori ocorre com “tyôtin” (lanterna japonesa), no qual é pendurado “tanzaku” (tira de papel, onde é escrito o nome da pessoa falecida, seja individual ou de família), como uma homenagem póstuma ou de gratidão pela salvação dos ancestrais. O evento ocorre com uma roda de dança e coreografias, em sua maioria animada com músicas folclóricas, onde todos podem participar.
O Bon Odori nos templos de Tupã, linha Higashi (Leste) e Nishi (Oeste), da tradição do  Shin Budismo da Terra Pura  (Jodo Shinshu), ocorre no mês de agosto. Na linha “Higashi”, o evento ocorreu no dia 10 e na linha “Nishi”, será realizado amanhã.

A realização do “Bon Odori da Alta Paulista” está prevista para o dia 26 de outubro na cidade de Marília, com apoio da Liga das Associações Culturais Nipo-Brasileira da Alta Paulista. No ano passado, o evento foi realizado em Tupã.

Bon Odori
Sobre a dança folclórica japonesa Bon Odori, existe uma lenda contada no sutra Urabon-kyô que fala de um monge, chamado Mokuren, que se destacava dos demais por ter uma poderosa visão transcendental. Ele se concentrava e, assim, seu espírito tanto podia viajar por mundos desconhecidos como ter a visão do que estava acontecendo em qualquer dimensão. Pouco tempo depois que sua mãe faleceu, ele resolveu usar o seu poder para ver em qual plano astral estava o espírito dela. Como ela era uma pessoa muito bondosa, Mokuren imaginou que ela estivesse no 100 Plano Astral, ou Nirvana, onde se encontra Buda. Qual não foi a sua surpresa ao constatar que sua mãe renascera no 20º Plano Astral, na dimensão dos Gaki (demônios famintos). Os seres que habitam esse mundo são esfomeados e sofrem de eterna sede. Ao ver sua amada mãe naquela situação de penúria, Mokuren - que tinha o dom de fazer viagem astral - levou comida para ela. Porém, um fato inesperado aconteceu e aumentou o sofrimento de Mokuren: cada vez que a mãe colocava um pouco de comida, o alimento se transformava em fogo e queimava sua boca. Durante uma oração prolongada, Mokuren pediu a Buda que ajudasse a aliviar a dor e o sofrimento de sua mãe. Buda, então, aconselhou-o a, no dia 15 de julho, manter todos os monges da localidade enclausurados dentro de um grande mosteiro, para que eles ficassem pelo menos por um dia sem pisar nos pequenos insetos e nas flores. No dia combinado, Mokuren chamou todos os monges da região para o grande mosteiro, dizendo que ia lhes oferecer um banquete em homenagem à sua falecida mãe. Foi feita tanta comida que os monges passaram o dia inteiro comendo, bebendo e cantando, e ninguém se lembrou de sair do mosteiro. Quando o dia terminou, o espírito de sua mãe apareceu para ele transformada em um ser do 6º Plano Astral. Ela estava iluminada e tão leve que chegava a flutuar. Ao ver sua mãe iluminada e flutuando como um tyôtin ao vento, Mokuren ficou tão feliz que começou a dançar de alegria. Os monges, que estavam alegres de tanto comer e beber, gostaram da dança de Mokuren e saíram dançando atrás dele. Acabaram por formar uma grande roda, simbolizando o círculo da felicidade. Assim surgiu o Bon Odori, como dança que faz homenagem ao espírito de pessoas falecidas.

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