Economia : As estatísticas e perspectivas sobre a economia de Tupã (2)

Geral


 
(*) Marcus Guilherme Bianchi Yano
 
(continuação da edição de ontem)
 
5/11/2024 - Vale destacar que estes dados divulgados por estes dois institutos públicos, tanto o IBGE quanto a Fundação Seade, têm como principal objetivo oferecer informações precisas aos presentes e futuros gestores públicos, assim como a toda a sociedade, para que trabalhem respectivamente suas políticas públicas e ações sociais com o objetivo de melhorar estes indicadores sociais e econômicos.
Nesta perspectiva econômica é interessante conhecer o peso de cada setor na formação do PIB tupãense. De acordo com a Fundação Seade, em 2021 o setor de Serviços tinha participação de 68,6 % na distribuição do PIB municipal de Tupã, seguido da Indústria com 13,1%, de Impostos com 9,57 % e da Agropecuária com 8,76%. E ainda na leitura do PIB tupãense o Seade observa que na distribuição do Valor Adicionado por Setor, o de Serviços da Administração Pública corresponde a 62,1 % do PIB tupãense; 13,7% Serviços (exceto da administração pública); 14,5% da Indústria e 9,7% da Agropecuária. 
Ou seja, a maior parte do PIB tupãense, assim como o da grande maioria dos municípios, senão todos, vem do setor de serviços públicos, que atende a grande parte da população que necessita, por exemplo, regularmente de escolas, universidades, unidades de saúde, hospitais e segurança pública, tanto no âmbito municipal, estadual e federal. Entretanto, é preciso que os agentes políticos tenham mais empenho, mais vontade e coragem para alocar os recursos financeiros em áreas prioritárias como educação, saúde, e enfrentar os obstáculos sociais, econômicos e ambientais visando uma economia mais dinâmica.
Outra informação a que todo gestor público deve estar atento é quanto ao salário médio mensal formal do trabalhador tupãense. De acordo com o Censo de 2022 do IBGE, o salário médio mensal dos trabalhadores formais de Tupã é de dois salários mínimos. Ou seja, na época, o salário era de R$ 1.212,00. Hoje, isso representaria exatamente R$ 2.424,00. No painel montado pelo IBGE, Tupã fica na 457ª posição no ranking de 645 municípios. No cenário regional, municípios próximos como Parapuã, João Ramalho, Rinópolis, Oriente, Borá, Quintana, Herculândia e Arco-Irís têm melhores médias salariais no mercado formal de trabalho se comparado ao de Tupã.
Neste contexto salarial é preciso ressaltar que a iniciativa privada, juntamente com outras entidades como sindicatos, associações e toda sociedade, tem também responsabilidades legais e sociais com seus colaboradores e devem atuar para melhorar estas médias salariais.
Entretanto, a Fundação Seade vem registrando o crescimento anual do PIB tupãense em suas últimas estatísticas. De acordo com o instituto paulista, o valor adicionado do PIB de Tupã, que era de R$ 427.333.916, em 2002, passou para R$ 1.221.182.241 em 2012. E em 2021, foi para R$ 2.001.533.142. Destacando que o PIB é um indicador que reflete a soma de todos os bens e serviços produzidos em dado período e determinada região. 
Também as receitas realizadas da Prefeitura da Estância Turística de Tupã estão crescendo ano a ano desde o início das medições. De acordo com o IBGE, em 2013 o total de receitas brutas realizadas eram de aproximadamente R$ 129 milhões e em 2023 chegaram a aproximadamente R$ 305 milhões. Porém as despesas brutas empenhadas também cresceram de aproximadamente R$ 124 milhões em 2013 para R$ 294 milhões em 2023.
Mas o que vem oxigenando a economia tupãense nos últimos anos e colocando Tupã em posição de destaque no cenário agrícola nacional e internacional, é um grãozinho nativo do Brasil conhecido como amendoim. 
O Instituto de Economia Aplicada (IEA), do governo de São Paulo, informa que na última década a expansão da produção brasileira de amendoim foi permeada pelo aumento da área plantada, tanto assim que na safra 2012/13 eram 97 mil hectares e em 2022/23 foram 220 mil hectares plantados.  Em 2013, foram colhidas 326 mil toneladas e, em 2023, em torno de 893 mil toneladas. Nesse período, o Estado de São Paulo respondeu, em média, por 90% da produção nacional.
Ainda de acordo com o IEA, em território paulista o amendoim tem conquistado espaço importante na dinâmica socioeconômica estadual e, em 2023, alcançou a décima posição entre os 50 produtos do Valor da Produção Agropecuária Paulista, somando um total de R$ 2,812 bilhões. A origem das exportações do amendoim em grão posiciona municípios paulistas. Em 2023, o município de Tupã respondeu por 27,38% do total do volume exportado dessa mercadoria, seguida de Borborema com 16,85% e Parapuã com 8,57%. Juntos, os três municípios responderam por 52,80% das exportações de amendoim em grão.
Porém, na última safra de amendoim houve prejuízos por parte dos produtores com a falta de chuva, o que resultou na queda da produtividade e na rentabilidade das plantações de Tupã e região. Por isso, mais do que nunca, é necessário fazer a recuperação das nascentes, da mata ciliar dos córregos e rios. O produtor também deve estar atento às novas técnicas e manejos de solo, que aliem desenvolvimento e sustentabilidade ambiental, fazendo com que o amendoim tenha vida longa em nossa região. 
Resumindo, é preciso união de esforços entre iniciativa pública, no âmbito municipal, estadual e federal, e iniciativa privada para que juntos possamos fazer com que Tupã se firme como um município de destaque nas estatísticas da economia regional, melhorando sua renda per capita, o salário médio mensal do mercado formal tupãense e se tornando um município mais atrativo pelas suas características sociais, econômicas, ambientais e estruturais. Assim como também explorar melhor o título de estância turística, pois no Brasil o turismo emprega 7 milhões de pessoas e responde por 8,1% do PIB. 
Assim, como no turismo, cabe aos novos prefeito e vereadores também apoiar irrestritamente o setor agrícola, em especial o amendoim, que emprega centenas e centenas de pessoas, diretamente e indiretamente, em Tupã e na região, proporcionando trabalho e renda e oportunidades de novos negócios. Trazer novas empresas é necessário, mas tem que apoiar as que já existem e precisam de apoio. 
 
(*) Marcus Guilherme Bianchi Yano é jornalista

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