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30/03/2026 - Parceiro… senta que lá vem história, pois falar da bola de “capotão”, meu amigo, é como abrir aquele álbum velho guardado no fundo do armário, cheiro de mofo, foto amarelada e um monte de lembrança que chega sem pedir licença. Aquilo ali não era só bola, não — era personagem principal das “peladas” de outrora.
E eu acredito que, apesar de toda a modernidade que tomou conta de tudo, ainda existam alguns poucos exemplares da “capotão” perdidos por aí, naqueles longínquos rincões onde a globalização ainda não deu as caras para mudar as regras do jogo.
Mas vou te confidenciar um detalhe que só quem viveu aquela época efervescente sabe: nós, moleques mais mirradinhos, quase não jogávamos com a tal da “Capotona”. Aquilo era bola de marmanjo, da turma que já estava “empenujando”, como o povo dizia. Jogo de gente grande, mais disputado, mais pegado. A gente ficava ali na beirada, só olhando, gandulando o jogo e aprendendo na marra.
Agora, quando faltava um pra fechar o treino, eles olhavam pra nós e soltavam: “ô, molecada, vem aqui pra dar jogo”. Rapaz… era um misto de orgulho com medo. A gente entrava querendo mostrar serviço, mas sabendo que o negócio ali era sério.
Feita de couro grosso — parecia que esse tinha sido arrancado à unha —, costurada na mão, cheia de gomos marcados e com aquela válvula escondida debaixo de uma aba safada, traiçoeira que só ela.
A “Capotona” já nascia bruta. Em dia seco já dava trabalho… agora, bastava cair uma chuvinha e ela virava um verdadeiro tijolo. Não era bola, era castigo divino. Parecia que tinham colocado chumbo dentro só de sacanagem.
Cem quilos fácil — e isso sem exagero de boleiro, viu? Porque lá na roça a gente não mentia no peso, só aumentava um pouquinho pra valorizar a resenha.
E o barulho? Aquele “tchoc” seco, parecia madeira batendo em tambor. Dava pra saber que era jogo sério só pelo som. Quando estava seca, quicava toda torta, igual sujeito saindo do bar depois da saideira da saideira. Murcha então… era sacanagem. Parecia um tatu-bola perdido no mundo. Você chutava pra um lado e ela resolvia ir pro outro.
Jogar descalço com aquela “disgramada” era coisa de homem corajoso — ou meio doido mesmo. O chute doía até no pensamento. E eu, quando entrava pra completar o time dos “marmanjos”, já tinha minha malandragem, pois na hora de dar uma “bicuda” mais forte, nada de ir no impulso — metia com o solado do pé mesmo, meio na manha, só pra não estourar os dedos, só pra não ouvir o “plec” deles quebrando. E quando era só pra tocar, usava o lado do pé. Era sobrevivência, “boleiro” também precisava pensar.
E cabecear? Meu Deus do céu, era como dar de cara com uma melancia de couro. Se pegasse na costura então, já podia preparar o corte. Quando o couro ressecava e rachava, virava lâmina. Já vi muito cara sair do jogo com mais cicatriz do que história — e olha que história não faltava.
E quando algum iluminado resolvia passar graxa ou sebo nela… pronto. A bola virava um sabão assassino. Escorregava que nem promessa de político. O goleiro, coitado, virava mártir. Em dia de chuva, segurar um chute daqueles canhotos invocados, que soltavam verdadeiros petardos, era como tentar abraçar um saco de cimento vivo, cuspindo barro. Ou tinha coragem, ou nem entrava.
Mas vou te falar uma coisa, aquilo não era só futebol não. Era quase um ritual. A bola no meio do campo era tratada com respeito, como se fosse coroa de rei. A primeira batida… ah, parceiro… a primeira batida era tipo batismo. Quem chegava dando bico descalço de cara já avisava: “tô nem aí pra dor, hoje é guerra”.
E o cheiro? Quem sentiu nunca esquece. Couro molhado, terra, suor, dava até pra saber quem tinha cabeceado por último só pelo perfume que ficava na testa. Era a assinatura da jogada.
Tinha cidadão que dava até nome pra bola — e não era “zoeira”, não, era carinho mesmo. “Capotona”, “Maria Capotão”, “Redondona de Guerra”, era quase da família. Só faltava sentar à mesa no domingo.
E no fim do jogo sempre vinha o preço: dedinho latejando, cabeça doendo, unha roxa, perna arranhada, corpo moído. A gente saía mancando, mas com um sorriso que não cabia no rosto. Era aquela filosofia raiz: todo arrebentado, mas feliz demais.
Porque a senhora “Capotona” podia judiar — e muito —, mas também ensinava raça, coragem e, principalmente, amor pelo jogo.
E ali, no meio daquela resenha “fuleira”, sempre tinha alguém que soltava aquela frase clássica, aquela que a gente cansou de ler em para-choque de caminhão velho:
“Vivo todo arranhado, mas não largo minha gata.”
E não largava mesmo.
E o mais engraçado é que o sujeito falava aquilo com tanta convicção, mas tanta verdade estampada, que parecia até que a frase estava pregada numa placa bem no meio da testa dele — tipo outdoor de beira de estrada, impossível de ignorar.
E como já dizia o “véio deitado”: se tem placa, tem história…
E se tem história, parceiro… é porque valeu a pena!
“Minhas divertidas aventuras pelo mundo do futebol de várzea, aquele que amamos chamar de ‘pelada’, ‘rachão’, ‘quebra-dedo’, ‘arranca-toco’ e entre muitos outros apelidos divertidos”
Texto: Paulo Cesar – “PC”
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