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(*) Jesus Guimarães
15/05/2026 - Transcritos abaixo trechos do pedido de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro:
"... apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente cobrar, eu fico sem graça de tá te cobrando, mas, enfim, é que está num momento decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso, preocupado com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme. Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel (ator), Cyrus (Diretor)..."
"...então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, meu irmão... porque é reta final, a gente não pode parcelar, não pode não honrar com os compromissos aqui porque senão a gente perde tudo, todo o contrato, perde ator, diretor, perde equipe, perde tudo... Podia me dar um toque aí irmão? Desculpe aí, o áudio longo aí, tá. Um abração ... fica com Deus, tá...".
A extrema-direita tenta fazer um filme da vida do líder Jair, Dark Horse (Azarão), para lançar agora no segundo semestre de 2026, obviamente, um filme eleitoral. O orçamento previsto era de 24 milhões de dólares, quantia que à época da assinatura do contrato com Vorcaro equivalia a R$ 134 milhões de reais, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos, em parcelas, pelo banqueiro ao senador Flávio, entre fevereiro e maio de 2025. Com a divulgação do áudio pelo Intercept Brasil, em que ele pede ao doador a atualização dos pagamentos, sob pena de comprometer a produção do filme, confirma-se a veracidade da transação espúria entre as partes.
Ninguém torraria milhões e milhões de dólares por simples amor à arte. Vorcaro tem amarras com Bolsonaro desde a sua vinda ao mundo dos negócios bancários.
Cínico, o senador tenta agora justificar que se trata de dinheiro privado, na tentativa de desviar o foco da "mutreta". Vorcaro só pôde doar quantias desse porte porque estava se beneficiando de lucros absurdos, absolutamente ilegais, com a venda de títulos podres a caixas de previdência de servidores públicos sob pressão de governadores e prefeitos bolsonaristas, como se viu no Rio de Janeiro, em Macapá, em Brasília e muitas outras cidades e estados.
Portanto, senador, não se trata de dinheiro privado, grana de agiotas, mas sim de recursos para provimento de aposentadorias, ora pulverizados em transações que somente o seu "amigo irmão" Daniel Vorcaro & Cia lucraram. E muito.
Em 2024 e 2025 seu pai não era mais presidente, mas já havia nomeado o senhor Roberto Campos Neto presidente do Banco Central para, fingindo nada ver, deixar o Banco Master crescer, inchar, mercê de jogadas cuja ilicitude saltava aos olhos de todos.
Senador Flávio Bolsonaro, suas mãos estão manchadas e a consciência, se tiver, está pesada, o senhor não merece, não deve, nem pode chegar ao comando desta nação.
Na certa, não chegará.
(*) Jesus Guimarães é professor, bacharel em Direito, funcionário aposentado do BB
e ex-prefeito de Tupã
E-mail: zuguim@uol.com.br
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