Pix do Brasil

Geral


(*) Roberto Kawasaki
 
Como o PIX entrou na discussão, face aos desdobramentos causados pela dupla de irmãos Bolsonaro, Flávio e Eduardo, que em encontro fora da agenda presidencial de Donald Trump nos EUA, solicitaram os enquadramentos do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas por parte do governo norte-americano, causou, dentre outras consequências, além da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, uma possível retaliação americana ao engenhoso e democrático PIX, invenção puramente brasileira, que nada mais é do que transferência monetária instantânea.
O PIX nasceu de discussões em 2014 no Banco Central, em pleno governo Dilma, de um novo sistema de pagamentos brasileiro que pudesse facilitar transações financeiras, que deixassem os custosos e demorados sistemas bancários DOC e TED de lado e democratizassem acessos de mais brasileiros a um modelo mais ágil, seguro e instantâneo. De fato, os estudos avançaram em 2016 e foram definitivamente implantados em 2020, ou seja, atravessaram os governos Temer e Bolsonaro e chegaram no atual governo Lula. Técnicos do Banco Central, capitaneados pelo engenheiro Carlos Eduardo Brandt e o economista Ângelo José Duarte, simplesmente criaram um sistema espetacular que concorre de frente com interesses de bandeiras de cartão de crédito dos EUA, como Visa e Mastercard.
O que leva a uma absurda constatação: quem implantou foi Jair Bolsonaro e agora, seus filhos, Flávio e Eduardo, podem provocar reações dos EUA contra interesses da população brasileira e, por consequência, da economia brasileira. Claro que essa indefensável contradição, mais uma dos Bolsonaro, contra os interesses do Brasil em benefício dos EUA, era e é totalmente previsível. 
Não é de hoje que Donald Trump age somente em nome dos interesses dos EUA e de mais ninguém, haja vista as inúmeras ações contra países, organizações multilaterais e pessoas. Aliás, estamos em plena Copa do Mundo de Futebol e sediada no México, Canadá e EUA, apenas este está criando obstáculos à livre circulação de árbitros, dirigentes esportivos, torcedores e, pasmem, jogadores de futebol.
Por tudo isso, aqueles que estavam iludidos com Trump se conscientizem que devemos defender nossos interesses. Vejam como cada nação defende seus interesses. Os verdadeiros patriotas defendem exclusivamente sua pátria.

(*) Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, professor da Faccat, delegado 
do Conselho Regional de Economia – SP, colunista da Tupacity e do DIÁRIO

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