Novos golpes a caminho

Política


(*) Jesus Guimarães

23/07/2026 - A extrema-direita é assim, quando não ganha pelos meios normais, apela. Trump fez um pronunciamento à nação americana garantindo que em 2024 teria sido reeleito se os democratas não tivessem fraudado o processo eleitoral. Segundo ele, naquela eleição votaram milhares de mortos, dezenas de milhões de imigrantes ilegais que não têm direito a voto, além do fato de ter ocorrido decisiva "influência eleitoral da China" (sic). Em 2020 ele foi eleito pelo mesmo sistema, mas desse "detalhe", não se lembrou.
Em outubro/novembro deste ano serão realizadas as eleições de meio de mandato (midterm elections) para integral renovação da Câmara de Representantes e de 35% do Senado. É com elas que o presidente americano está preocupado, pois anda muito mal nas pesquisas, assim como os parlamentares que o sustentam no poder. 
Delirante, declarou que para não se repetir a mesma "roubalheira", ele promoverá uma reforma eleitoral no país. As eleições serão rigidamente controladas pelo Departamento Interno de Segurança dos EUA, com a participação estratégica do ICE, a temível polícia de imigração, cujos efetivos são pagos por produção. Quanto mais prendem, mais ganham. 
As medidas anunciadas por Trump, aliadas à sua inegável impopularidade, obrigam à conclusão de que seu discurso nessa terça-feira nada mais foi que a primeira providência para evitar o desastre deste seu mandato. Sem apoio parlamentar, até o impeachment será algo a considerar.  
Cassetetes e pistolas automáticas nas ruas, se nada for feito para frear esse trem descarrilado que tem sido o governo Trump, os EUA assistirão pela primeira vez em sua história a um indiscutível e, possivelmente violento, golpe de Estado. 
Do lado de cá da Linha do Equador, o direitista Flávio Bolsonaro também começa a preparar um possível golpe nas eleições deste ano. No mesmo dia reuniu-se com vários embaixadores em Brasília para manifestar-lhes a sua "preocupação" com as nossas urnas eletrônicas. Retoma a arenga de 2022 quando o pai, sentindo o cheiro da derrota, pôs-se a atacar pra valer a Justiça Eleitoral do nosso País. 
Se ganharem as eleições, para eles tudo estará certo, se não, será fraude indiscutível. 
Olho vivo, Brasil! 

(*) Jesus Guimarães é professor, bacharel em Direito, funcionário aposentado do BB e ex-prefeito de Tupã
E-mail: zuguim@uol.com.br

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