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18/08/2026 - O segundo semestre de 2026 deve ser marcado por temperaturas acima da média e um comportamento diferente das chuvas no Oeste paulista. A previsão está relacionada à atuação de um El Niño de forte intensidade, fenômeno climático que já está estabelecido no Oceano Pacífico e deve influenciar o clima brasileiro até o início do Outono de 2027.
Embora o fenômeno seja acompanhado de perto por meteorologistas e produtores rurais, seus efeitos não são iguais em todas as regiões do País. No Oeste paulista, o principal impacto esperado é o aumento das temperaturas e a possibilidade de uma regularização mais precoce das chuvas da Primavera, cenário que pode favorecer algumas culturas agrícolas, mas também elevar o risco de temporais.
Segundo o professor Alexandrius de Moraes Barbosa, engenheiro agrônomo, docente da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) e coordenador do Unoeste Clima, compreender o comportamento do El Niño é essencial para reduzir riscos e melhorar o planejamento no campo.
"O El Niño é uma das fases do fenômeno ENOS [El Niño Oscilação Sul], caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Como se trata do maior oceano do planeta, suas alterações influenciam os padrões climáticos em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil. Entender esses impactos auxilia tanto o planejamento agropecuário quanto a prevenção de eventos extremos", explicou.
Fenômeno já
está ativo
De acordo com o pesquisador, o El Niño já se encontra consolidado e os principais modelos climáticos indicam que ele deverá permanecer ativo pelos próximos meses. "Muito se fala sobre um possível super El Niño por causa da intensidade prevista. Os modelos apontam um evento muito forte, mas é importante lembrar que já tivemos registros semelhantes no passado. Na safra 2015/2016, por exemplo, houve aquecimento próximo ao que está sendo projetado agora", afirmou.
O que esperar
para A região
Para a região, o comportamento das temperaturas apresenta uma tendência mais definida do que o das chuvas. "Historicamente, anos de El Niño são mais quentes, e os modelos mantêm essa indicação para a Primavera e o Verão. Já em relação às chuvas, não existe um padrão único para nossa região", esclarece.
Segundo Alexandrius, isso ocorre porque o Oeste paulista está localizado em uma área de transição climática, onde diferentes sistemas atmosféricos atuam simultaneamente.
"Já tivemos anos de El Niño extremamente favoráveis para a agropecuária, como em 2015/2016, e outros bastante desfavoráveis, como na safra 2023/2024. O comportamento das chuvas depende da interação entre diversos fenômenos atmosféricos, e não apenas do El Niño", destacou.
Apesar dessa variabilidade, os modelos climáticos atuais indicam chuvas acima da média até o fim do ano. "A expectativa é de continuidade das chuvas ainda durante o Inverno e uma regularização mais cedo das precipitações na Primavera. Nos últimos anos, observamos atraso no início das chuvas dessa estação, situação que, a princípio, não deve se repetir neste ano", esclareceu.
Atenção para
temporais
A combinação entre temperaturas elevadas e maior disponibilidade de umidade também aumenta a possibilidade de eventos climáticos mais intensos. "Quando temos calor e chuvas acima da normalidade, cresce o risco de temporais, chuvas intensas, alagamentos e processos erosivos. Por isso, acompanhar as previsões torna-se ainda mais importante para produtores e também para a população", esclarece.
Agricultura deve acompanhar de
perto
As condições climáticas previstas podem influenciar diretamente as principais culturas agrícolas do Oeste paulista. "Na nossa região, culturas como cana-de-açúcar, soja, milho, algodão, amendoim, batata-doce e as pastagens podem sofrer impactos positivos ou negativos, dependendo do manejo adotado e da distribuição das chuvas ao longo do ciclo produtivo", destacou o professor.
Além do campo, Alexandrius ressaltou que o fenômeno também interfere na rotina das cidades. "Chuvas mais frequentes ajudam na recuperação dos reservatórios de água, mas aumentam o risco de alagamentos. Já os períodos mais quentes elevam o consumo de energia elétrica, principalmente pelo uso de sistemas de climatização", ponderou.
Monitoramento contínuo
Para auxiliar produtores rurais e a população no acompanhamento das condições meteorológicas, a Unoeste mantém o Unoeste Clima, o Centro de Monitoramento e Estudos Climáticos e de Previsão do Tempo.
O Unoeste Clima divulga periodicamente boletins de previsão do tempo por meio do Instagram (@unoesteclima). "Nosso objetivo é oferecer informações confiáveis que auxiliem no planejamento das atividades agrícolas e nas decisões do dia a dia", pontuou.
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