Wilson Monteiro e Seu Conjunto - na Extremadura o baile era outra história

Geral


29/09/2026 - Nos anos 80, tinha coisa que não precisava de muita propaganda. E isso acontecia com Wilson Monteiro e seu Conjunto. Quando o povo via aquele icônico cartaz pregado em algum lugar, anunciando que os caras iriam tocar, já começava a movimentação.
A banda tocava em vários lugares que faziam parte do roteiro dos bailes da época, entre eles o Bairro Universo, Marco 8, Iacri, a própria sede da banda, lá em Rinópolis, entre outros.
Mas, na minha opinião, tinha um lugar que era diferente de todos os outros: o Bairro Extremadura.
Não sei explicar exatamente o que aquele lugar tinha, mas parecia que, quando Wilson Monteiro tocava na Extremadura, a coisa tomava outra proporção.
Era como se fosse o apogeu da banda.
Digo isso porque, quando o cartaz anunciava que a banda estaria na Extremadura, pronto: começava a mobilização geral. Era bater o olho naquele papel e pensar:
"Esse baile eu não posso perder!"
A notícia corria e logo apareciam as perguntas entre aquela rapaziada que não podia ouvir falar em baile que já estava dentro, principalmente aqueles que não tinham transporte próprio: quem vai, como vai, que horas sai?
Aí a turma começava a se organizar. Era caravana, carona, valia tudo para ir. Era gente de todo lado e de todas as idades.
E teve uma vez que nós mesmos quase ficamos fora desse baile por causa da bendita carona. A solução foi encarar a estrada de terra de moto.
Pegamos o caminho do Bairro Dom Quixote e fomos embora, felizes da vida, achando que tínhamos resolvido o problema.
Só que a estrada estava movimentada. Começou a passar um monte de carros, provavelmente todos seguindo para o mesmo lugar. E cada carro que passava levantava aquele poeirão danado.
Não tinha para onde correr. Era poeira na roupa, no cabelo, no rosto... acho que até dentro da alma entrou poeira naquele dia.
Chegando à Extremadura, foi aquela limpada improvisada: bate roupa daqui, sacode dali, limpa o rosto, arruma o cabelo e tenta recuperar um pouco da dignidade.
Mas naquela época era assim mesmo.
O negócio era não perder Wilson Monteiro na Extremadura.
Tinha alguma coisa especial naquele lugar. O povo parecia mais animado, mais solto, mais feliz. Era daqueles bailes em que você chegava já sabendo que a noite seria comprida.
Wilson Monteiro e seu Conjunto não era banda de brincadeira, não. Os caras eram do ramo mesmo.
Tinham experiência, eram bons no que faziam e sabiam fazer um arrasta-pé acontecer. A banda era afinada, animada e, principalmente, sabia conversar com o público através da música.
E os bailes tinham seus momentos estratégicos.
Depois de tocar forte por um bom tempo, chegava aquela hora em que os músicos davam uma paradinha básica.
Era hora de tomar uma aguinha, refrescar a garganta e dar uma descansadinha, porque ninguém é de ferro.
Mas o baile não parava.
Enquanto os músicos recuperavam o fôlego, entrava uma seleção de "mela-cueca" daquelas de respeito.
E aí, meu amigo... era hora das músicas lentas!
A turma que estava gastando o solado do sapato, "rastando o pé", diminuía o passo. Os casais se aproximavam e começava aquele famoso dois pra lá, dois pra cá, praticamente andando em câmera lenta.
E tinha umas músicas tão lentas que, se o cidadão não tomasse cuidado, acabava dormindo no ombro da dama.
Das que ficaram na minha memória, lembro de "Over You", da Lane Brody, "Still Loving You", do Scorpions, e "Knife", do Rockwell.
Essa última então...
Era daquelas que faziam até o tempo andar mais devagar.
E essa mistura era justamente um dos diferenciais da banda e uma das coisas mais legais daqueles bailes.
Depois da paradinha estratégica e das "mela-cuecas", os músicos voltavam para o segundo tempo do baile com força total.
Aí não tinha conversa.
Era música atrás de música e o salão novamente pegava fogo.
Quando a gente percebia, o sol já estava quase chegando. E, mesmo assim, a gente ainda achava que tinha acabado cedo.
Pior era que alguns, dali, já iam direto para o trabalho. No meu caso, eu era um desses.
Hoje, olhando para trás, dá até para perguntar:
Como é que a gente aguentava?

"Minhas divertidas - às vezes nem tanto - 
aventuras pelos inesquecíveis anos 80."
Texto: Paulo Cesar - "PC" ou Paulinho, depende da turma.

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