Balanço dos testes: Mercedes pula como favorita; Ferrari surpreende

Esportes


27/02/2026 - Um ano recheado de novidades. A maior revolução técnica da história da Fórmula 1. E a pré-temporada da categoria chega ao fim após 11 dias (cinco - fechados - em Barcelona e seis - abertos - no Bahrein). As três semanas de testes trouxeram, como de hábito, mais perguntas do que respostas. Muita gente escondeu o jogo. Por outro lado, alguns mostraram até demais - e surpreenderam. O grande ponto positivo foi a confiabilidade: à exceção da Aston Martin e seu motor Honda, todas as outras dez equipes vão para o GP da Austrália, em Melbourne, com uma boa quilometragem neste novo regulamento. E sem tantos problemas graves. Entretanto, outras questões se impuseram: falaremos delas ao longo desse texto.
No papel, o mais rápido - e vamos considerar aqui apenas os testes do Bahrein - foi Charles Leclerc, da Ferrari. Com o tempo de 1:31.992, o monegasco colocou a Ferrari no topo da tabela de tempos na hora final da última sexta-feira em Sakhir, usando os pneus C4, o segundo mais macio disponível. Ele ficou mais de oito décimos à frente do tempo marcado por Kimi Antonelli, da Mercedes, no dia anterior. Mas sabemos que, em pré-temporadas, os tempos marcados são muito pouco significativos. Entretanto, no caso da Ferrari, a pré-temporada foi recheada de boas notícias: o carro mostrou confiabilidade, assim como o novo motor. Aliás, o turbocompressor com dimensões menores pode ser um trunfo nas largadas deste ano, ainda que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) tenha ajustado o tempo do procedimento. Deu até para apresentar novidades, como o apêndice colocado à frente do escapamento e a avaliação da asa móvel traseira que gira 180° e fica invertida em relação ao solo.
Mesmo escondendo o jogo, a Mercedes segue como a favorita neste início de temporada. O único ponto de atenção para a equipe alemã está no motor: eles precisaram trocar duas vezes a unidade de potência na segunda semana do Bahrein por problemas de confiabilidade. Mas o inglês George Russell e o italiano Kimi Antonelli colocaram as flechas de prata no topo dos rankings de simulações de corrida e também de classificação. Entretanto, é fato que a polêmica da taxa de compressão variável dos motores alemães roubou a cena - e provocou mudanças no regulamento. As fornecedoras terão de se adequar ao novo teste - com a temperatura a 130°C - até o dia 1º de agosto, durante as férias de Verão da categoria. Uma clássica decisão política da FIA, que agradou às outras quatro fabricantes da Fórmula 1: Ferrari, Red Bull Ford, Audi e Honda. Até lá, a Mercedes terá chance de construir uma boa vantagem no campeonato. Isso, claro, se a vantagem alemã for realmente confirmada.
Um ponto positivo do tempo de pista nestes testes foi a proximidade entre as quatro primeiras equipes. Se Mercedes e Ferrari parecem estar realmente na frente, McLaren e Red Bull não estão tão distantes assim da briga por vitórias. Temos aí um ponto importante para o motor que a equipe austríaca construiu com a chancela da americana Ford. É a primeira vez que eles constroem uma unidade de potência. E se esperava muito pouco neste início. O propulsor surpreendeu pelo desempenho, mas também pela confiabilidade. Isso sem falar no fator Max Verstappen, o melhor piloto da Fórmula 1 atual. Já a McLaren tem o motor Mercedes, mas não usou unidades atualizadas no Bahrein. A equipe inglesa tem a seu favor a continuidade de um projeto vencedor nos últimos dois anos, com o atual campeão Lando Norris e o australiano Oscar Piastri querendo mostrar serviço após a decepcionante reta final de 2025. Nesta disputa, a Red Bull foi melhor nas simulações de volta lançada, enquanto a McLaren teve vantagem nos chamados ”long runs”.
A distância das quatro grandes para as equipes de meio de pelotão pareceu grande. Entretanto, a briga entre elas está ferrenha. Cinco times têm condições de brigar por pontos neste início de temporada: Alpine, Audi, Williams, Haas e Racing Bulls. Nesta disputa, para mim, o grande destaque positivo foi a nova equipe alemã. O projeto chefiado por Mattia Binotto e com Jonathan Wheatley à frente nos fins de semana pareceu ter sido muito bem pensado. Passo a passo, sem afobação. O desempenho do alemão Nico Hulkenberg e do brasileiro Gabriel Bortoleto cresceu gradativamente desde a primeira sessão de testes em Barcelona. E mostrou muita evolução ao longo dos seis dias no Bahrein. É claro que ainda existem problemas a serem solucionados, ainda mais em um projeto que começou do zero. Mas a forma de trabalho da Audi se mostrou extremamente competente. Uma grande notícia.

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