Dinizismo no Corinthians: como o técnico tem implementado seu estilo no dia a dia do clube

Esportes


174/04/2026 - Treinos até a noite, muita conversa, cobranças enérgicas, aprovação dos jogadores... Mesmo com poucos dias de trabalho, em meio a uma sequência de três partidas importantes, o técnico Fernando Diniz tem buscado implementar seu estilo de jogo no Corinthians. Um estilo que não é apenas tático, mas também motivacional.
O dia a dia de trabalho no CT Joaquim Grava tem refletido em campo. Nas três partidas sob o comando de Diniz, o Timão venceu duas, contra Platense e Santa Fé, e empatou uma, com o Palmeiras. Fez quatro gols, sem levar nenhum.
São dez dias desde que Diniz chegou para substituir Dorival Júnior. Pouco tempo para o treinador implementar por completo o seu estilo de jogo conhecido como “Dinizismo”, mas suficiente para mudar o ânimo e a confiança do elenco.

Diniz vem tendo conversas diárias com jogadores, especialmente Rodrigo Garro, Breno Bidon e André. Até atletas que não vêm sendo utilizados, como Dieguinho, recebem atenção especial do técnico.
Os papos são tão longos que os treinos chegam a demorar a começar. Ele chega a tirar jogadores do aquecimento para conversar e explicar o que espera deles naquele dia. Quando os trabalhos começam, se prolongam. Em algumas ocasiões, os treinos terminaram à noite, já sem iluminação natural.
Durante as sessões, enérgico que é, Diniz grita o tempo todo e cobra muito os jogadores. O principal objetivo é recolocar o elenco, que enfrentou uma sequência de nove jogos sem ganhar, em um caminho virtuoso.
“Quando vem treinador novo, vem uma energia nova, com uma nova característica. É um cara muito enérgico, que nos deu essa energia nova”, analisou o zagueiro Gustavo Henrique em entrevista na zona mista na Neo Química Arena após a segunda rodada na Conmebol Libertadores.
“Não que com o professor Dorival não existia. O Diniz trouxe uma energia diferente. É um cara que pilha mais. Colocou na nossa cabeça que tínhamos condições de mudar essa chave. E a gente está acreditando no trabalho dele, que pode melhorar com e sem bola. É o que está acontecendo. Estamos muito felizes por esses três jogos”.
O trabalho dinâmico e rápido implementado por Diniz tem agradado os atletas, que compraram a filosofia do treinador - algo que vai além da preparação técnica e tática.
“As pessoas atribuem a mim algumas coisas da parte tática. Não sou um cara assim. A minha cara é o que o Corinthians está mostrando: entrega absoluta e coragem para vencer”, disse Diniz em entrevista coletiva.
É claro que aspectos técnicos e táticos não deixam de ser trabalhados. Na defesa, a equipe tem conseguido repetir a façanha de passar vários jogos sem ser vazada, como ocorria com Dorival.
“Defesa não está sendo vazada porque há um comprometimento grande de todos os jogadores em defender”, ponderou Diniz.
No ataque, o técnico sabe que precisa melhorar a produção ofensiva, com mais finalizações, e vem tentando fazer isso com mais variações posicionais.
“Quando o Bidon e o Kayke vão para o lado, é uma maneira de dar mais amplitude e termos cruzamento em velocidade com gente na área. O jogo do Corinthians é elaborado. O jogo de hoje pedia que fosse para os lados”, exemplificou Diniz sobre o duelo contra o Platense.
O toque de bola, a intensidade e a aproximação dos jogadores estão entre as características que, aos poucos, aparecem no Corinthians de Diniz. O trabalho com os pés de Hugo Souza também - ainda que o goleiro tenha vacilado uma vez ou outra.
Mesmo com pouco tempo, os vários desfalques por lesões e o calendário apertado, Diniz vem se diferenciando do seu antecessor por repetir escalações. Nas três partidas sob seu comando, o treinador usou o mesmo time titular.
“Tenho um tipo de pensamento em relação a isso diferente da maioria. Respeito os dados fisiológicos, mas o jogador não é só um monte de osso e músculo. Tem outras coisas que são até mais importantes. Lesão e baixo rendimento têm o componente biológico, mas tem outras questões que não são contáveis: medo, coragem. Isso é o que mais me interessa. Para mim, tem a parte que mede e a parte que sente. O futebol e a vida são de sentir. Não desprezo a biologia e a ciência, mas me baseio em outras coisas para tomar as decisões”, explicou o comandante corintiano.
O próximo jogo do Corinthians será contra o Vitória, no Barradão, em Salvador (BA), neste sábado, às 20h (de Brasília), pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Neste compromisso, Diniz não poderá repetir a mesma escalação porque o lateral-direito Matheuzinho e o meio-campista André, expulsos no dérbi, no último domingo, estarão suspensos. Uma oportunidade para que outros nomes possam ganhar moral com o novo treinador.

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