Muricy Ramalho fala de identidade no Brasil: “Vai ser duro Carlo Ancelotti reconstruir uma seleção”

Esportes


05/08/2026 - A eliminação da seleção brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo ainda repercute no futebol nacional. Para Muricy Ramalho, um dos técnicos mais vitoriosos da história recente do País, a campanha expôs um problema que já se arrasta há anos: a perda da identidade do futebol brasileiro.
Durante palestra realizada no último fim de semana no primeiro curso de treinadores do futebol amador de Campinas, iniciativa gratuita promovida pela prefeitura com apoio do Grupo EP nas comemorações dos 252 anos da cidade, o ex-treinador avaliou que Carlo Ancelotti ainda não teve tempo suficiente para compreender a essência do futebol brasileiro, mas acredita que o italiano poderá corrigir a rota no próximo ciclo até a Copa de 2030.
“O futebol brasileiro de hoje perdeu um pouco nossa identidade, a nossa essência. Na Copa do Mundo ficou claro. A gente trouxe o melhor treinador do mundo, mas ele não tinha muita ideia do que o brasileiro pensa sobre o futebol.

“Brasil nunca ficou atrás da bola”
Muricy Ramalho também reprovou a postura da seleção na derrota por 2 a 1 para a Noruega. Segundo ele, o comportamento reativo da equipe destoou da tradição construída pelo Brasil ao longo da história.
“Ele (Carlo Ancelotti) conhece os nossos jogadores que jogam na Europa, mas não conhece muito bem nossa identidade. Agora nesse ciclo ele vai sentir o que é o brasileiro. Nenhum brasileiro, por exemplo, gostou do que o Brasil jogou contra a Noruega. Brasil nunca ficou atrás da bola, sempre propôs no jogo, mandou no jogo, sendo agressivo. Foi um futebol totalmente diferente nessa Copa do Mundo”.
O ex-treinador ponderou que o italiano teve pouco tempo de trabalho antes do Mundial, mas acredita que o treinador terá condições de recuperar características históricas da seleção.
“A torcida não gostou, a gente que está no meio do futebol não gostou. Mas a gente entende. O Carlo Ancelotti chegou faz pouco tempo no Brasil, não conhece nossa identidade. Isso que a gente tem que recuperar. Não somos europeus, somos brasileiros, mas faz muito tempo que a gente não conquista. Acho que agora ele vai conseguir fazer o Brasil voltar a ser o Brasil de antes. Pode perder, mas não como a gente perdeu, praticamente deixou a Noruega jogar, ficamos assistindo”.

Problema 
começa na base
Para Muricy Ramalho, a reconstrução da seleção brasileira passa também por mudanças estruturais na formação de jogadores e por uma maior atenção ao desenvolvimento de atletas em posições consideradas carentes.
“Ele começou bem agora, fez reunião com pessoal da base da CBF. Estamos falhando na base também. É onde temos que procurar jogadores, laterais que não temos, meio-campistas que não existem mais, principalmente número 10. Esse trabalho começa na base, e o Carlo Ancelotti tem que participar disso. Nosso grande problema está na base”.

Neymar Júnior 
e o fim de uma era

Muricy Ramalho também comentou a decisão de Neymar Júnior de encerrar o ciclo na seleção brasileira. Eles trabalharam juntos por duas temporadas no Santos, onde conquistaram a Taça Libertadores da América de 2011.
“Fui jogador também. Chega um momento em que a gente mesmo se toca, não precisa ninguém falar. Conheço muito bem o Neymar Júnior, foi meu jogador durante dois anos no Santos. Sempre precisou muito do físico, chega num momento, ainda mais no futebol de hoje, com intensidade e parte física, começam as contusões. É aquele negócio: a cabeça funciona, mas o corpo não obedece. Ele quer, mas não consegue. É coisa do jogador. Ele mesmo disse que já passou o ciclo dele”.

Reconstrução 
para 2030
Na visão de Muricy Ramalho, Carlo Ancelotti tem um grande desafio pela frente para preparar uma nova geração que consiga aliar capacidade técnica, disciplina tática e também um espírito vencedor.

“Vai ser trabalho duro do Carlo Ancelotti para reconstruir uma seleção, buscar valores. Esses caras que estão parando são jogadores de experiência, acostumados com Copa do Mundo e jogos decisivos. Vai ter que fazer uma nova safra. E só saber jogar não basta, tem que brigar pelas coisas. A Argentina, por exemplo, quis muito. A gente ficou devendo um pouco nesse sentido. Vai ter todo esse trabalho. Não será fácil”.

Sua notícia

Esta área é destinada para o leitor enviar as suas notícias e para que possamos inserí-las em nosso portal. Afim, da população ter informações precisas e atualizadas sobre os mais variados assunto

Envie a sua notícia por e-mail:

Todas as notícias

publicidade