Por que o Palmeiras vive má fase e sofre com queda de rendimento na reta final da temporada

Esportes


09/09/2026 - A 12 rodadas do fim, perder a liderança do Brasileiro para o Flamengo, no último domingo, reacendeu alertas no Palmeiras, que vivenciou esse mesmo roteiro ainda na última temporada.
“Não podemos cometer os mesmos erros do ano passado”, disse o diretor de futebol, Anderson Barros, depois do empate com o Botafogo, que permitiu a ultrapassagem e a perda da primeira colocação.
Mas o que explica essa queda de rendimento? Antes mesmo de entrar na fase final das decisões da temporada.
Em 2025, o Palmeiras passava por reformulação, fez 12 contratações e, na visão do clube, sofreu por desgaste físico, falta de experiência no elenco e certa permissividade defensiva, quando passou a sofrer gols evitáveis no fim.
Abel, depois da final da Libertadores, acrescentou ainda um fator psicológico: medo de errar, com a consequente falta de coragem e ousadia.
Fez no vestiário, inclusive, depois da derrota para o Santos ainda no Brasileiro de 2025, a mesma provocação que repetiu antes da goleada sobre o Vasco agora em 2026: “Esse é o melhor que conseguimos fazer?”.
Agora, porém, comanda um elenco melhor do que os últimos com os quais trabalhou no próprio clube.
Para dar mais experiência ao elenco, buscou três contratações: Marlon Freitas, Jhon Arias e Barboza, campeões recentes de torneios de grande expressão, sendo o último uma oportunidade de mercado depois de tentar o reforço do zagueiro Nino.
E se com esse grupo conquistou o Paulista, liderou o Brasileiro, chegou à semifinal da Copa do Brasil e às quartas de Libertadores, o Palmeiras simultaneamente sofre com uma queda de rendimento que chegou antes do que a da última temporada. Entre os motivos, estão:

O desencaixe 
do ataque
Tem sido o setor mais afetado ao longo da temporada, porque se reforçou com Jhon Arias, mas desde então perdeu no mínimo três opções: Ramón Sosa, que ainda se recupera de lesão muscular; Allan, negociado para Manchester City sem reposição; e Paulinho, que depois da cirurgia na canela já está na recuperação de sua terceira lesão.
Com um elenco curto, passou a sofrer com falta de reposição, de precisão, acertando contra o Botafogo, por exemplo, só cinco de 17 finalizações no alvo, e de regularidade, em meio às mudanças constantes no setor.
No segundo semestre teve bons momentos com Sosa e Mauricio, mas não voltou a encaixar a dupla Flaco-Roque, que até o fim de setembro de 2025 havia participado de 83% dos gols do Palmeiras desde a mudança tática de Abel.

As lesões
A situação do camisa nove, assim como a escassez de opções no ataque, está diretamente ligada a outro problema do Palmeiras em 2026: as lesões.
“A gente sabe que perdeu alguns atletas, falo de alguns lesionados, eles fazem falta para nós, mas estamos na fase final de recuperação e acho que a gente vai estar muito forte na hora que tiver que decidir essas competições”, disse Anderson Barros.
O próprio Vitor Roque desde o início do ano lida com problemas físicos, principalmente pela lesão e cirurgia no tornozelo, e ainda está fora de forma. Chegou a perder a vaga no time titular e a força no um contra a um, que é uma de suas virtudes.
Sem Roque e sem Allan, a equipe se apoia agora apenas em Arias nesse quesito.

O desgaste
Semelhante às lesões, na visão do clube, está ainda o desgaste, que afeta diretamente a tomada de decisão dos atletas, visto como problema no retrospecto recente, e provoca, por exemplo, erros de passe que geram contra-ataques dos rivais.
“Precisamos evoluir principalmente na questão técnica, na tomada de decisão, para que a gente possa ter os resultados confirmados e não permitir que aconteça o que está acontecendo, de termos perdido a primeira colocação”, disse Barros.

Inconsistência 
defensiva
A defesa, por sua vez, que sempre foi símbolo de regularidade e consistência, assim como ocorreu no ano passado, apresentou falhas recentes, com dificuldade coletiva de ajuste na marcação e os erros de Carlos Miguel, contra Atlético-MG e Cerro Porteño.
Durante este período, Abel ainda apostou em um esquema de três zagueiros que funcionou para dar mais volume ofensivo e liberdade no ataque, só que pouco tempo depois perdeu Allan, peça fundamental na ala direita, e precisou mexer nos zagueiros por lesão.

E a casa?
Ao ampliar a análise além da questão técnica para visualizar onde o Palmeiras tem perdido pontos, na visão da comissão técnica, está principalmente no aproveitamento em sua própria casa.
O Palmeiras, que esteve invicto por seis partidas no Nubank Parque no Brasileiro até abril, emendou desde maio uma sequência de apenas 50% de aproveitamento como mandante, com duas vitórias, três empates e uma derrota em seis jogos no Brasileiro.
“Tem sido difícil em casa conseguir desmontar muitas vezes muralhas que nos metem a frente e esse tem sido nosso grande problema”, avaliou Abel Ferreira.
Esse mesmo problema apareceu já na reta final do Brasileiro do ano passado, quando precisava vencer para recuperar a liderança e só empatou com Vitória e Fluminense. Jogos que na visão de Abel Ferreira foram definitivos para determinar o líder da competição.
É depois do segundo jogo, aliás, que o técnico “joga a toalha” publicamente para focar somente na Libertadores. Uma diferença em relação aos últimos dois anos, é que ainda há tempo para recuperação.
“Faltam 12 rodadas e acredito muito que o Palmeiras tenha totais condições ainda de brigar por esse título e vai brigar ainda até o final”, finaliza Barros.

Sua notícia

Esta área é destinada para o leitor enviar as suas notícias e para que possamos inserí-las em nosso portal. Afim, da população ter informações precisas e atualizadas sobre os mais variados assunto

Envie a sua notícia por e-mail:

Todas as notícias

publicidade