Vendilhão da Pátria cobiça a presidência

Política


(*) Maurício Castelo Branco

08/04/2026 - Ser traidor da Pátria é um dos mais abjetos desvios de caráter. É canalhice, no português sem rodeios. Agora, se for político e cobiçar ou ocupar o cargo de presidente da República, a adjetivação do sujeito torna-se impublicável; é caso de polícia, na gramática jurídica.
"O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido. Porque o Brasil é a solução da América (leia-se Estados Unidos) para quebrar a dependência da China em minerais críticos, especialmente terras raras". Não, não é mais uma manifestação rotineira e ameaçadora do megalomaníaco Donald Trump ou de um de seus igualmente tresloucados assessores de alto escalão a expor qual destino pretendem relegar ao nosso País e a toda América Latina, que tratam deliberadamente como seu "quintal". 
Alerta máximo de PERIGO! A famigerada e recriminável fala, que afronta os interesses nacionais e se alinha aos caprichos do império, é de autoria de Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da extrema-direita, fez parte de seu discurso em recente evento neofascista internacional organizado nos EUA por seguidores de Trump e foi efusivamente celebrada in loco pela plateia. Impossível dizer que é fogo amigo, pois o País que tem um trânsfuga postulante ao cargo máximo da República não precisa de inimigo.
Esse alinhamento torna-se ainda mais grave num contexto em que o arrogante império já anunciou seu plano macabro para a América Latina: ou os países da macrorregião aderem como vassalos ao seu projeto neocolonialista, que deixaria Hitler morto de inveja, ou estão sujeitos a ataques militares. 
É covardia a subserviência aos EUA manifestada pelo filho 01 do ex-presidente e presidiário Jair Bolsonaro, ao comprometer-se, caso seja eleito, a permitir a exploração da segunda maior reserva de terras raras do planeta ao bel prazer das necessidades geopolíticas estadunidenses. Trata-se de autodeclaração de vendilhão da Pátria. Por si só, esse vergonhoso comportamento bastaria para que Flávio Bolsonaro fosse, no mínimo, alvo de um cívico, patriótico, sonoro e retumbante não nas urnas e submetido pelo eleitorado ao congelamento definitivo no frio polar do ostracismo político.
O recriminável gesto não surpreende. O clã Bolsonaro notabilizou-se por demonstrações inequívocas de antipatriotismo - uma abjeta e histórica característica da direita brasileira desde a fundação da República. O País sofreu drásticas baixas quando o chefe do clã ocupou a cadeira do Planalto e produziu uma profusão de tragédias, a sua maior especialidade. Esmerou-se no repugnante entreguismo, contrário aos mais nobres e estratégicos interesses nacionais, ao privatizar refinarias da Petrobras, a BR Distribuidora, a Eletrobras, tudo precificado por baixo, ao sabor da república de bananas na qual transformou o País durante seu desgoverno. A famigerada continência que fez à bandeira estadunidense foi ato simbólico do mais alto grau de viralatismo.
Também inspirado em seu progenitor e mentor, o pupilo 02, Eduardo Bolsonaro, conspirou incansavelmente contra o Brasil, articulando nos bastidores do poder estadunidense seu público apoio ao injustificável tarifaço que o governo tirânico do ensandecido Trump - trampolim geopolítico de Xi Jinping e Putin - tentou impingir ao Brasil, assim como a vários países.
A investida só são vingou porque instituições brasileiras novamente funcionaram como bastiões da democracia e, para desespero da extrema-direita, o presidente Lula, em memorável atuação digna de estadista, defendeu incondicionalmente a soberania nacional, negociou de igual para igual com Trump, venceu a batalha, evitou que uma tragédia socioeconômica se abatesse sobre o Brasil e mais uma vez ganhou notoriedade, reconhecimento e admiração internacionais, agora pela altivez e determinação com as quais conduziu as negociações.
O plano antecipado por Flávio em relação às terras raras seria mais um duro golpe do clã Bolsonaro na soberania nacional e no desenvolvimento do Brasil. Impediria não somente a possibilidade de abertura da sempre salutar concorrência como também a oportunidade única que o País tem de se firmar na favorável posição de condicionar às negociações exigências alvissareiras, como a transferência de tecnologias para extração sustentável dessas valiosas commodities e seu processamento em território nacional. Um projeto dessa envergadura, defendido pelo presidente Lula, viabilizaria consequentemente robustos investimentos em indústrias de produtos de alta tecnologia, agregação de valor, geração de empregos e renda, entre outros benefícios à nação.
As eleições se avizinham em meio a um quadro geopolítico conturbado, mas ineditamente favorável ao Sul global. Esse movimento transcontinental emergente busca consolidar o mundo multipolar, mais justo e pacífico nas relações internacionais, em substituição ao unilateralismo imposto pelo império estadunidense, belicoso, ameaçador, intervencionista, impiedoso e consequentemente cada vez mais isolado.  
A democracia, a soberania, a Pátria e a autodeterminação do povo brasileiro estão em jogo, correm risco e, mais do que nunca, devem ser consideradas prioridade para se consagrar o ritual do voto.

(*) Maurício Castelo Branco é jornalista 
pós-graduado em História e Mídia 

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