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(*) Roberto Kawasaki
09/10/2026 - O candidato Flávio Bolsonaro promete que fará um corte ("tesouraço") nas despesas correntes do Orçamento Público Federal de 2027, caso se eleja em 25 de outubro, de cerca de R$ 250 bilhões. O setor de Previdência Social, Saúde e Educação seriam os setores visados. Se fosse o caso, seria um equívoco imenso. Ao menos, durante o processo eleitoral está sendo sincero, depois de tantas mentiras proferidas no caso Master/Volcaro.
Por quê um equívoco ? Porque não resolve o problema mundial de déficit público, e nem o da dívida pública interna. Alguns desavisados alegam que o custo financeiro elevado que acomete toda a economia brasileira se deve à rolagem dos títulos de dívida pública, que é elevada devido à alta da taxa Selic. Não é verdade, haja vista que, como expliquei aqui em outro artigo, há uma distância enorme entre a taxa da inflação (IPCA ou IGP/M ) e a taxa Selic (que representa a necessária atratividade de viabilizar a venda de títulos de dívida pública federal ) e da taxa Selic com as demais taxas de juros que vigoram no mercado financeiro (cartão de crédito rotativo, empréstimo pessoal, empréstimo PJ, empréstimo imobiliário, capital de giro, etc ), estas sim, proibitivas. Que nada têm com o déficit público...
Um "tesouraço" dessa magnitude, embora significativo, está muito longe dos gastos exorbitantes das câmaras municipais, prefeituras municipais, governos dos estados, assembleias legislativas, poder Judiciário estaduais e federais, bem como Congresso Nacional, Previdência Social e empresas estatais.
Se não houver um pacto nacional de contenção de gastos de âmbito geral, de todas as esferas de governo e dos 3 poderes institucionais, tal esforço seria inútil. Uma vez mais, seria uma conta a ser paga por aposentados, pensionistas, saúde e educação.
Contudo, é bom ficar alerta que as contas serão pagas pelos governos dos estados e prefeituras municipais, já que estes respondem, no fim da fila, pelos gastos com educação e saúde. Simplesmente, a conta compartilhada federal/estadual/municipal seria repassada exclusivamente para as esferas estaduais e municipais.
Por tudo isso, governadores e prefeitos que trabalham pelo Bolsonaro, fiquem espertos. A conta do "tesouraço" ficaria para os aposentados, pensionistas, estudantes, idosos e população que necessita do SUS, da Previdência Social e da educação pública estadual e municipal, bem como as universidades públicas federais, estaduais e municipais.
Entretanto, o verbo é futuro do pretérito, pois há ainda uma segunda rodada eleitoral no dia 25 de outubro.
De qualquer forma, fica o alerta aqui.
(*) Roberto Kawasaki é economista pela
FEA-USP, professor da Faccat, delegado do Conselho Regional de Economia - SP,
colunista da Tupacity e do DIÁRIO
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