A clientela do SUS, cobiçada por empresas internacionais

Política


(*) Jesus Guimarães

14/10/2026 - O chamado neoliberalismo nada mais é que o capitalismo posto a nível de selvageria, inumanidade. Como predadores enlouquecidos, seus agentes não hesitam em tomar a mamadeira das crianças se for para acrescentar um ponto nos índices de suas fortunas. 
A possibilidade de uma vitória do bolsonarismo em 25 de outubro próximo aterroriza a todo aquele que bem conhece os reais intuitos dessa gente. A palavra de ordem será privatizar, entregando a preços vis as riquezas nacionais. Nos primeiros dias após o primeiro turno, o senador Flávio começou a vomitar seus secretos anseios: fim dos direitos trabalhistas previstos em lei (CLT), congelamento do valor das aposentadorias, jornada ilimitada paga por horas trabalhadas sem perspectiva de férias, licenças, aposentadoria ou 13º salário. 
Na mira dessa sanha por retirar recursos dos trabalhadores para aumentar o lucro das empresas também está, inevitavelmente, o serviço público brasileiro de saúde que, apesar das dificuldades que ainda enfrenta, é um exemplo perante a situação dos menos favorecidos em muitos países desenvolvidos no mundo, sobretudo nos EUA.
Em outubro de 2020, Jair Bolsonaro, o pai dessa mixórdia, instruído por Paulo Guedes, seu ministro da Economia, baixou um decreto maroto que incluía os postos de atendimento médico do SUS em um programa de parceria público-privada em que empresas concluiriam ou construiriam unidades de atendimento à saúde tendo como prêmio a exploração da atividade. A ideia não resistiu 24 horas, até porque o governo não tinha maioria necessária no Congresso para segurar a barra. 
Todavia, a história agora é outra. Em 4 de outubro o mal informado povo brasileiro não só deu mais votos a Flávio Bolsonaro, mas também elegeu o pior Congresso da história, premiando candidaturas oportunistas, financiadas a peso de ouro pelas "emendas" parlamentares 
Das cinco maiores empresas de saúde no mundo, as quatro primeiras são americanas. Elas e todas as outras olham para o mercado brasileiro com cobiça absoluta. O acesso monopolizado a milhões de consumidores beneficiários do SUS, seria um prêmio inigualável e pagariam fortunas a quem viabilizasse a operação. 
Flávio Bolsonaro, por seu passado e por seu presente, é a figura inegavelmente capaz de cometer tal crime contra a nação brasileira. Não pensa em reeleição pelas urnas, sonha isto sim, com a permanência indefinida pela força. 
Depois não adiantará ranger os dentes por dor ou arrependimento. A desgraça estará instalada, sabe-se lá por quanto tempo. 

(*) Jesus Guimarães é professor, bacharel 
em Direito, funcionário aposentado do BB e 
ex-prefeito de Tupã
E-mail: zuguim@uol.com.br

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