Três semanas de magia

Política


(*) Jesus Guimarães

04/11/2026 - Na medida em que o tempo vai passando, o entendimento da real dimensão dos fatos cresce exponencialmente. Como defensor da democracia, martirizava-me a hipótese de o nazi-bolsonarismo voltar ao comando da República do Brasil. A perspectiva do retrocesso era aterradora, pois o fenômeno teria enormes chances de se estender mandatos afora. Para quem passou 21 anos de sua vida sob a bota de uma ditadura militar, reacionária, violenta, obtusa, e viu de perto o estrago que algo assim pode fazer a um processo civilizatório, era insuportável cogitar o enfrentamento dessa tragédia; legar a filhos e netos um futuro tão funesto, era de tirar o sono.
A angústia cresceu para valer após o 1º turno, quando a direita venceu o candidato defensor da democracia. Como reagir? Impossível que esses votos capazes de barrar a volta ao passado não existissem. Estavam por aí, na consciência daqueles que votaram nos nanicos, que, velhos ou jovens demais, não foram votar. Tais votos quedavam em estado latente na cabeça de milhões. Como acordar esses cidadãos da Pátria antes que fôssemos atropelados pela história?
Os vinte dias que separaram um pleito do outro foram mágicos. Os estudantes saíram das universidades do Brasil e inundaram as ruas protestando pelo respeito à escola pública, os velhos acomodados em seus sofás, levantaram-se e, se necessário, valendo-se de bengalas e muletas,  seguiram para as urnas resolutos na defesa de suas aposentadorias e benefícios sociais. Uma avalanche espetacular. Cerca de 10 milhões de eleitores mobilizados em socorro da candidatura capaz de barrar o fascismo em terras tupiniquins.  
O despertar de uma nação que a levou à vitória retumbante, incontestável.  Uma marcha às urnas tão épica e comovente que tocou não só o coração dos brasileiros, mas a alma dos democratas em todo o mundo.
Hoje o L é um símbolo planetário de resistência ao fascismo. Mais que Lula, significa luta e liberdade. A marcha às urnas dos brasileiros foi tão incontestável, reconhecida pela imensa maioria dos países, dos mais pobres aos mais desenvolvidos, que impediu Trump de negá-la. Não bateu palmas, nem a negou, não teve coragem para opinar, poderia perder milhares de votos nas eleições parlamentares de 3 de novembro.
Demos um exemplo ao mundo que hesita em peitar o autocrata ianque. Uma vitória não só de Lula, mas também, e sobretudo, do destemido povo brasileiro. 
Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil!!!

(*) Jesus Guimarães é professor, bacharel em Direito, funcionário aposentado do 
BB e ex-prefeito de Tupã 
E-mail: zuguim@uol.com.br

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