A derrota de Trump

Política


(*)  Roberto Kawasaki
 
06/11/2026 - O mundo todo estava na expectativa das eleições dos EUA, realizadas no dia 3 de novembro. Afinal de contas, se o Partido Republicano ganhasse, seria um apoio indiscutível ao governo de Trump, que está no meio de seu mandato.
Depois dos resultados apurados, ainda que muito demorados -  um vexame à maior potência do mundo, se compararmos ao eficiente e rápido sistema eleitoral brasileiro -, houve uma acachapante derrota de Trump e de seu partido, pois o partido azul Democrata venceu de forma humilhante o partido vermelho Republicano. Haja vista que os democratas fizeram a maioria dos governadores, e obtiveram a maioria no Senado e na Câmara dos Deputados.
Sem sombras de dúvidas, foi uma derrota esperada de Donald Trump, depois do mundo todo assistir ações beligerantes com a comunidade internacional, inclusive com países amigos e parceiros, como o Brasil, e principalmente com os próprios americanos.
Na verdade, Trump traiu os votos recebidos dos seus eleitores na vitoriosa campanha republicana de 2024, pois prometera o MAGA-Make America Great Again, um equívoco, pois os EUA é, ainda, o maior do mundo; descumpriu as promessas de acabar com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia; de resolver o problema entre Israel e os palestinos; e pior, criou uma guerra com o Irã, que não estava prevista, da qual não sabe como terminar.
O pior dos mundos foi trazer problemas econômicos à população dos EUA, elevando o custo de vida e a inflação, com o tarifaço contra o mundo todo. Excedeu e muito a política anti-imigratória, com deportações desumanas e que contrariam todos os postulados das ciências econômicas, tendo em vista que deportar pessoas significa fazer os EUA menores, com menos trabalhadores e menos consumidores. Ou seja, um país menor e não maior, como prometera com o MAGA. Uma tragédia previamente anunciada.
Na linguagem popular, ficou um pato manco. Por outro lado, sob o ponto de vista político de pesos e contra-pesos, ficou saudável: o poder Executivo terá de negociar com o poder Legislativo, que lhe é hostil, servindo de contraponto às loucuras medievais de Trump. 
Isso exigirá de Donald Trump restabelecer os canais políticos de negociação, de conversas, de buscar consensos, de muito diálogo. Enfim, a política normal volta ao cenário dos EUA. Ainda bem. O mundo todo agradece. Chega de devaneios.
O caso do tarifaço de Trump contra o café produzido pelo Brasil é sintomático, pois, ao taxar em 50% o café brasileiro, que não é concorrente do café dos EUA, porque não existe café produzido nos EUA, somente fez o café ficar 50% mais caro para o consumidor americano.
 Como tive oportunidade de escrever e lembrar antes, que consumidor insatisfeito iria se posicionar de forma contrária conquanto eleitor... E isto ocorreu em 3 de novembro.
Essa eleição de 2026 é um aviso do que será a eleição de 2028, quando haverá o fim do mandato de Trump, pois ele não poderá ser mais candidato...
O tempo é inexorável: foram-se os tempos de Bush, de Clinton, de Obama e será de Trump. Haverá novas gerações políticas a comandar os EUA. Vamos aguardar.
Nada poderá ser pior que Trump, foi o recado dos eleitores e eleitoras dos EUA.

(*) Roberto Kawasaki é economista pela 
FEA-USP, professor da Faccat, delegado 
do Conselho Regional de Economia – SP, e colunista da Tupacity e DIÁRIO

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