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(*) Jesus Guimarães
06/11/2026 - Seria exagero chamar de fascista o governo do autocrata Donald Trump? Não creio. Com as adaptações que o tempo impõe, na essência o que se tem nos EUA é um movimento de natureza tipicamente fascista instalado a partir da Casa Branca. Seus ocupantes são supremacistas raciais por excelência, praticam um capitalismo selvagem, desumano, devorador de economias outras, belicista por excelência, convictos de seus direitos imperiais sobre os demais povos do mundo.
Mas essa febre, apesar de perigosa, não dura eternamente. Bestas-feras, de caninos expostos como os tigres dentes-de-sabre, são doentes convictos de que viverão "ad aeternum", que vieram para revirar o mundo implantando uma nova ordem sob a qual, como seres iluminados, governarão multidões de zumbis.
Enganam-se, porém, tais psicopatas. Acabarão inevitavelmente apeados do trono que imaginavam inatacável. Mussolini na Itália, Hitler na Alemanha e outros chefetes menores, aprontaram, destruíram, torturaram, mataram, mas um dia o povo, de uma forma ou de outra, reagiu retomando o rumo da democracia, tal e qual está ocorrendo agora com o reinado trumpista.
A onda neofascista que vem ameaçando a humanidade começa a sofrer seus primeiros tropeços. Trabalhadores e estudantes, mais intelectuais e religiosos mundo afora, elevam seus protestos em tom cada vez maior, seja nas ruas, nas redes sociais, na vida cotidiana e agora, destacadamente, nas urnas.
O Brasil, que há cerca de vinte dias esperneava à beira do precipício, resistiu, abraçou seus direitos e princípios e reverteu a situação, impingindo uma considerável derrota à extrema-direita nacional. Seu líder maior, herói valentão que nos "salvaria" do comunismo, em menos de 48 horas fugiu com o rabo entre as pernas sob as sombras da madrugada. Seu padrinho internacional, fanfarrão da mesma laia, uma semana após sofreu nas urnas uma derrota histórica que lhe retirou mais da metade do apoio que desfrutava no Congresso do país.
Desmorona-se o império do Norte, o Brasil afronta e torna-se exemplo mundial de resistência democrática ao impedir que a América Latina se consolidasse como quintal dos americanos. A onda agora é outra, é a de resistir ao fascismo, aqui, nos States, na Argentina, na Espanha, na Itália, em Israel.
Cabe-nos, a partir dessa vitória, manter os olhos abertos, a militância cotidiana, até porque o Congresso em 2027 será ainda mais inimigo do povo, embora continue, inevitavelmente, tendo medo das ruas, pois seguirá valendo a máxima de que o povo unido, jamais será vencido.
(*) Jesus Guimarães é professor, bacharel em Direito, funcionário aposentado do BB
e ex-prefeito de Tupã
E-mail: zuguim@uol.com.br
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