Você não é a sua nota: autoestima, identidade e autonomia emocional

Variedades


 

(*) Adriano de Oliveira

16/03/2026 - Na adolescência, muita coisa acontece, ao mesmo tempo, o corpo mudando, grupo social virando “termômetro” de aceitação, cobrança por resultados e um mundo digital que transforma visibilidade em status. Nesse cenário, é comum o jovem começar a medir o próprio valor pelo que entrega, pelo que aparenta ou pelo que recebe de aprovação. 
A psicoterapia entra como uma espécie de governança interna, ou seja, um espaço seguro e estruturado para o adolescente construir uma identidade que não dependa de aplausos e sim de coerência com aquilo que faz sentido para ele.
Esse jovem precisa de ajuda para lidar com essa tempestade de mudanças e a terapia não é apenas um bate papo ou um desabafo. 
É um processo com método, onde o jovem aprende a se conhecer com profundidade e a tomar decisões com mais clareza, sendo que um dos primeiros ganhos é organizar a bússola de valores, afinal o que é importante de verdade?
Respeito, lealdade, liberdade, aprendizado, família, fé, amizade, contribuição, autonomia… Quando esses pilares ficam claros, o adolescente deixa de viver no “piloto automático” do que impressiona e passa a escolher caminhos que sustentam bem-estar e orgulho pessoal ao longo do tempo.
Outro ponto-chave é mapear suas potencialidades, afinal o adolescente com autoestima frágil costuma enxergar apenas lacunas, não sou bom o bastante, todo mundo é melhor, eu sempre erro. 
A psicoterapia comportamental cognitiva ajuda a fazer um inventário realista de competências, talentos e recursos internos,  inclusive aqueles que não aparecem em boletim ou curtidas como sensibilidade, senso de justiça, criatividade, humor, capacidade de cuidar, persistência, responsabilidade, coragem de recomeçar. Quando o jovem reconhece suas potências, ele ganha base para agir, se posicionar e pedir ajuda sem se sentir inferior.
A construção da narrativa de vida é outro diferencial e muitos adolescentes contam para si mesmos uma história dura: “eu estou cansado”, “eu sou o problema”, “nunca vou dar certo”, “não pertenço”. 
Em psicoterapia, essa história é revisitada com maturidade emocional, onde  o que aconteceu comigo não define quem eu sou, mas sim que eu posso ressignificar experiências, reconhecer vitórias silenciosas e elaborar feridas sem ficar refém delas. 
Isso reduz vergonha, melhora autoconfiança e fortalece a sensação de identidade, momento em que, com valores claros, forças mapeadas e uma narrativa mais saudável, o próximo passo é transformar intenção em direção, afinal, metas alinhadas ao que realmente importa.
É aqui que o jovem aprende a sair do “tudo ou nada” e entrar em uma rotina sustentável, com objetivos realistas, micro-hábitos e acompanhamento e em vez de correr atrás do rótulo perfeito, ele aprende a construir progresso consistente e a lidar com erros como parte do aprendizado, não como prova de incapacidade. 
É uma mudança de mentalidade que diminui a ansiedade, melhora o foco e amplia a autonomia.
Para famílias, a psicoterapia também traz alinhamento quando há abertura, o processo pode incluir orientação parental e combinados práticos como comunicação mais respeitosa, limites com telas, rotina de sono, apoio em momentos de crise.
Tudo isso sem invadir a privacidade do adolescente, mas criando um ecossistema mais favorável ao desenvolvimento da sua autonomia emocional
Todas essas observações resultam em algo valioso, afinal a psicoterapia funciona como um lugar onde o adolescente pode ser inteiro, com dúvidas, medos e sonhos e ainda assim se sentir digno. 
Se você percebe que seu filho ou sua filha está se perdendo em comparação, autocobrança ou sensação de vazio, buscar psicoterapia é um investimento de alto impacto. 

(*) Adriano de Oliveira,
psicólogo clínico e neuropsicólogo - 
CRP: 06/150383
Instagram: @psicologoadrianodeoliveira

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