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(*) Maurício
Castelo Branco
30/03/2026 - Hoje em dia, a passarinhada habita as cidades com tamanha desenvoltura, além de desenhar no céu graciosas revoadas, e isso acabou por estabelecer uma relação de afinidade com a gente urbana. Mas nem essa familiaridade nos livrou da surpresa quando, de repente, deparamos com um ninho de pombinhas na varanda de casa.
Surpreendeu-nos tanto a rapidez como tudo aconteceu, quanto o ineditismo da nossa cumplicidade parceira com berçário de aves. Até a descoberta, transcorreram poucas horas, desde que achamos gravetos espalhados no piso – o primeiro sinal da novidade, embora velado em tempos de ventanias rotineiras. O inesperado encontro foi memorável. Aninhada e serena, a pombinha fitou-nos docemente. Ante a nossa expressa reciprocidade – afinal, “a vida é tão rara” – percebemos que um ar de confiança saltou aos seus olhos.
A passarada urbana anda domesticada; sassarica e cisca no chão pavimentado de ruas, praças, quintais. Há passarinhos que ousam entrar sorrateiramente em cozinhas para furtar ração oferecida aos cães, e outros até fazem ninhos em varandas. É tanta intimidade com a qual dividem esses espaços com a gente, que essa convivência parece natural. Mas, não é. Além dos limites das cidades, árvores viraram artigo raro depois da dramática devastação da Mata Atlântica do interior, o bioma original local que há quase um século começava a dar adeus à região.
Frente à cada vez menor oferta de guarida e fonte de alimentação, anteriormente garantidas também por esses seres sombreiros e frutíferos em escala de florestas a perder de vista, não restou alternativa a tantas aves senão migrar para as urbes, em número e diversidade sem precedentes, e aclimatar-se a uma dinâmica antinatural, ao menos para elas: árvores cercadas por edificações, movimento de pedestres e veículos, ruídos, iluminação artificial noturna e calor extremo atípico, ou pior, já típico do atual capitaloceno, potencialmente a mais letal e efêmera das eras geológicas.
Em tempos de eventos cada vez mais recorrentes e extremos, que prenunciam colapso climático, o alerta tem sido incansavelmente emitido pela comunidade científica internacional especialista no tema e na apresentação de propostas em busca da reversão do sombrio quadro. O diagnóstico, cientificamente comprovado, evidencia que o sistema econômico capitalista, como está posto, é nocivo à saúde do planeta, tal qual um vírus inoculado em suas entranhas que pode ser letal se não combatido a tempo, e exige urgente mudança de rota, com medidas estruturantes.
O problema é que o esforço hercúleo dos cientistas é silenciado pelos senhores do grande capital, na era da ideologia neoliberal hegemônica na economia. Esse lobby exerce controle sobre a mídia corporativa, patrocina tendenciosa orientação editorial que lhe impõe para relativizar e omitir dados e informações reveladores da grave situação climática global.
Pior: esse mesmo lobby coopta parlamentos e governos, os faz negligenciar o alerta da ciência e agir em favor de interesses privados, muito lucrativos, pouco republicanos, concentradores de renda, disseminadores da pobreza, miséria, da devastação dos finitos recursos naturais e aceleradores desse processo que, em última instância, tem potencial para deixar a Terra inabitável num futuro mais próximo do que os incautos imaginam.
“É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo”. A impactante frase do saudoso filósofo britânico contemporâneo, Mark Fisher, expõe como o êxito desse poderoso lobby e a efetividade de suas manobras acabam por afastar os povos da realidade, impedindo-os de se conscientizarem da premente necessidade de se oporem ao sistema e de pressioná-lo, isso se quisermos evitar o cataclisma anunciado.
Ainda que esteja naturalizada a moderna familiaridade da passarinhada com as cidades, uma adicional dose de surpresa para nós foi a despreocupação das pombinhas com o abeirado contato humano. A varanda é pequena e, muitas vezes, apenas um ou dois metros nos separam do ninho, cuja altura está alinhada aos nossos olhos, dado que o casal o construiu em um dos vasos suspensos. É digno de nota o fato de estarmos tomando os cuidados preventivos necessários contra doenças que passarinhos podem transmitir.
Macho e fêmea revezam-se na inalienável tarefa de chocar e proteger os ovos. Em solidariedade, reforçamos a proteção externa do berçário para evitar que o casal seja alvejado por eventual ação predadora de gatos sorrateiros, que flanam aos bandos pela cidade – um iminente risco à saúde pública.
O ninho dista dois metros do sofá da sala, que está posicionado logo abaixo da janela virada para a varanda, de onde assisto a canais do YouTube pela TV. Dias atrás, enquanto acompanhava análises de cientistas dedicados aos estudos e pesquisas acerca do colapso climático, que embora em estágio intermediário avança mais rápido que o previsto pela própria ciência, institivamente olhei para trás e constatei que estava tudo bem com o ninho, as pombinhas e seus ovos, ao menos, por enquanto.
(*) Maurício Castelo Branco é jornalista
pós-graduado em
História e Mídia
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