Desconstruindo mitos: por que a comparação nas redes sociais afeta a saúde emocional dos jovens

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(*) Adriano de Oliveira

17/04/2026 - Dados apresentados evidenciam um cenário que exige atenção estratégica e sensível: entre adolescentes, 41,6% não estão satisfeitos com o próprio corpo, 28,9% relatam tristeza frequente e 42,9% convivem com irritação ou mau humor.
Esses indicadores, oriundos do IBGE, não são apenas números — são sinais consistentes de um ecossistema emocional fragilizado, que impacta diretamente identidade, comportamento e relações interpessoais.
A adolescência é, por natureza, um período de transição marcado por intensas mudanças biológicas, cognitivas e sociais. Nesse contexto, a construção da autoimagem torna-se um eixo central.
A insatisfação corporal, amplificada por padrões irreais difundidos nas redes sociais, tende a gerar comparações constantes, diminuindo a autoestima e potencializando sentimentos de inadequação. Esse processo, quando não acolhido, pode evoluir para quadros mais complexos, como ansiedade, depressão e comportamentos de risco.
A presença recorrente de tristeza e irritabilidade revela, ainda, uma dificuldade crescente de regulação emocional. Muitos adolescentes não foram ensinados a nomear, compreender e manejar suas emoções, o que resulta em reações impulsivas, isolamento ou conflitos familiares. 
É nesse ponto que a psicoterapia se posiciona como um recurso estruturante e de alto impacto. Do ponto de vista clínico e educacional, a psicoterapia oferece ao adolescente um espaço seguro para expressão e elaboração de sentimentos. A partir de abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental, por exemplo, é possível trabalhar distorções cognitivas — como pensamentos de inadequação ou rejeição — e substituí-las por interpretações mais realistas e funcionais. Isso fortalece a autonomia emocional e amplia a capacidade de enfrentamento diante das pressões externas.
Para os pais, o processo terapêutico também gera valor estratégico. A orientação parental permite compreender melhor o comportamento do filho não como “rebeldia”, mas como expressão de demandas emocionais não atendidas. Com isso, os cuidadores passam a desenvolver habilidades de comunicação mais empática, estabelecimento de limites saudáveis e construção de vínculos mais seguros.
Além disso, a psicoterapia atua como um ponto de alinhamento sistêmico. Ao integrar adolescente e família no processo, cria-se um ambiente mais previsível, com expectativas claras e maior coerência nas interações. Esse alinhamento reduz conflitos, melhora o clima familiar e contribui diretamente para o desenvolvimento saudável do jovem.
Em termos de prevenção, investir em saúde emocional na adolescência é uma decisão de alto retorno. Quanto mais cedo há intervenção qualificada, menores são as chances de agravamento dos sintomas e maior é a probabilidade de formação de adultos emocionalmente estáveis, produtivos e conscientes de si.
Portanto, diante de dados que evidenciam sofrimento significativo, a psicoterapia deixa de ser um recurso pontual e passa a ser uma estratégia essencial de cuidado. Não se trata apenas de tratar sintomas, mas de desenvolver competências emocionais que acompanharão o indivíduo ao longo de toda a vida. Em um cenário onde o sofrimento é silencioso, oferecer escuta qualificada e intervenção estruturada não é apenas importante — é indispensável.
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(*) Adriano de Oliveira,
psicólogo clínico e neuropsicólogo -
CRP: 06/150383 –
Instagram: @psicologoadrianodeoliveira

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