MOVA-SE: Quando Tupã vira palco de sonhos, técnica e emoção

Variedades


04/05/2026 - No último sábado, o Teatro Municipal “José Antônio Parra Gomes”, de Tupã, não foi apenas um espaço físico: foi ponto de encontro, vitrine e celebração. O festival MOVA-SE, idealizado e conduzido pela incansável Élica Régia, reuniu 54 coreografias, cerca de 100 bailarinos nos bastidores e oito academias de quatro cidades da região — Tupã, Marília, Bastos e Penápolis. Mais do que números, o que se viu foi movimento em estado puro: dedicação, arte e uma comunidade inteira dançando junto.
Realizado com recursos próprios, patrocínios e apoio da Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore de Tupã, o evento contou com uma equipe enxuta e afiada de 14 profissionais — do som à iluminação, da fotografia à coordenação de palco. E o resultado? Mais de 49 premiações, entre troféus e medalhas, distribuindo reconhecimento a talentos que vão da categoria infantil ao adulto, sem esquecer categorias especiais como Melhor Bailarina e Melhor Coreógrafa.
Mas festival que se preza vai além do pódio. E foi aí que entraram os olhares atentos das juradas Julie Endo (jurado A) e Valcir Silva (jurado B), cujas reflexões ajudaram a dar profundidade ao que aconteceu no palco.

Do rigor à sensibilidade: o olhar que 
avalia sem esquecer o contexto
Julie, com sua formação que mescla o rigor acadêmico do método RAD e a intensidade dramática do Bolshoi, trouxe uma perspectiva que equilibra técnica e humanidade. Para ela, avaliar bailarinos em formação no interior exige “ampliar a capacidade de interpretação sem perder de vista a realidade de cada um”. Ou seja: olhar com exigência, mas também com acolhimento. Entre os elementos que definem um desempate, Julie destaca a autenticidade do movimento em relação ao conceito proposto e, nos trabalhos em grupo, a unidade cênica — aquela sintonia fina que transforma indivíduos em coletivo.
Já Valcir, produtor cultural por trás do consagrado SoulDance, trouxe um olhar amplo: “Quando avalio uma coreografia, não observo apenas a técnica, mas também a construção artística, a coerência entre conceito, movimento, trilha e interpretação”. Para ele, festivais regionais são muito mais que vitrines: são espaços de encontro, troca e crescimento, onde talentos são descobertos e carreiras ganham fôlego.

O que temos de bom — e o que ainda 
podemos melhorar
Ambos os jurados concordam em um ponto: o interior paulista pulsa com determinação. Escolas sérias, professores dedicados e uma produção artística cada vez mais relevante compõem um cenário promissor. O gargalo? Acesso contínuo a formação qualificada, políticas públicas permanentes e investimento estrutural. “O talento existe em abundância; o que precisamos é fortalecer ainda mais as oportunidades”, resume Valcir.
Julie complementa: festivais como o MOVA-SE, ao priorizarem qualidade e oferecerem feedback qualificado, podem atuar como verdadeiros catalisadores de desenvolvimento — especialmente quando conseguem equilibrar honestidade técnica e sensibilidade emocional na devolutiva aos artistas.

Um “macete” valioso para quem dança (e para quem ensina)

Se Julie pudesse “emprestar” seu olhar de jurada por um minuto, diria apenas: “Aprenda a observar sua própria apresentação sem pré-julgamentos”. Um conselho simples, mas poderoso, que convida bailarinos e professores a enxergarem o trabalho com mais clareza e menos autocrítica antecipada. Já Valcir reforça a importância de não pular etapas: “A técnica, a disciplina e a consciência corporal continuam sendo fundamentais”, mesmo em tempos de busca por resultados imediatos.

E agora, MOVA-SE?

A resposta vem da própria Élica Régia: “Agora é nos prepararmos para uma estrutura ainda maior, nos capacitando e também treinando a nossa equipe”. O nome do festival já é um manifesto: é preciso se mover para se tornar referência. E, pelo que se viu sábado, Tupã já está no caminho — com uma equipe alinhada, acolhedora e comprometida em entregar o que foi proposto.
No fim das contas, festivais regionais como o MOVA-SE cumprem um papel que vai muito além da competição: humanizam a arte, conectam pessoas e fortalecem uma cadeia criativa que tem no interior paulista um de seus berços mais férteis. E se a dança é movimento, que sigamos todos — bailarinos, professores, organizadores e público — nos movendo juntos. Afinal, como diz o nome do evento: só quem se move, chega.  

Robinson Ricci

Sua notícia

Esta área é destinada para o leitor enviar as suas notícias e para que possamos inserí-las em nosso portal. Afim, da população ter informações precisas e atualizadas sobre os mais variados assunto

Envie a sua notícia por e-mail:

Todas as notícias

publicidade