Varpa sediou o 1º Acampamento Cultural Leto para a Juventude do Brasil

Variedades


09/09/2026 - O primeiro Acampamento Cultural Leto para a Juventude no Brasil, o Acampaleto 2026, aconteceu na Fazenda Palma, situada no distrito de Varpa, em Tupã, entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026. 
Foi um encontro de 4 dias para jovens de 18 a 33 anos viverem uma imersão na cultura da Letônia, país de onde saíram os imigrantes que fundaram Varpa em 1922 e a Fazenda Palma em 1923. 
Os participantes aprenderam na prática, conversando, cantando, dançando, criando, convivendo e explorando a região. Eles não precisavam falar a língua leta ou serem descendentes de letos. Para participar bastava ter curiosidade, vontade de aprender e disposição para participar. O acampamento foi aberto a qualquer jovem que quisesse explorar uma cultura diferente da brasileira, fazer novas amizades e viver uma experiência que vai além do que se aprende no dia-a-dia, no trabalho, na escola, nos livros ou na internet.
Todo o conteúdo e a programação foram construídos por uma equipe internacional formada por pessoas da Letônia e do Brasil e que são especialistas nas suas áreas de atuação dentro da cultura leta. A maioria tem experiências diretas de participação em acampamentos culturais 2x2 (chamados de Divreizdivi, em leto) em diferentes países, e trouxeram esse conhecimento para a histórica Fazenda  Palma.
O coordenador geral internacional do acampamento foi Toms Pavils, cidadão leto que já viveu em Portugal e no Reino Unido, e também passou 10 meses viajando pela América do Sul fazendo “mochilão”, onde teve muito contato direto com a cultura brasileira e de países vizinhos. Atualmente vive na Letônia, onde trabalhou em uma empresa multinacional de agricultura orgânica e também no Museu da Diáspora e no departamento da Diáspora do Ministério das Relações Exteriores da Letônia
A coordenadora geral do Brasil foi Renate de Carvalho Albrecht, cidadã leta e residente em Nova Odessa (SP). Atua como tradutora de leto e inglês para português. Desde 2015 é presidente da DAKLA (Associação dos Letos da América do Sul e Caribe).
A coordenação Financeira e Operacional na Fazenda Palma esteve a cargo de Sibila Lilian Osis, nascida em Varpa, criada em Nova Odessa e residindo atualmente em Manaus, no Amazonas. É enfermeira formada pela Unifesp. Atua como docente e ao longo da sua trajetória acadêmica vem pesquisando a história da imigração leta no Brasil, com foco especial em Varpa e na tipografia da Fazenda Palma. Em 2025, concluiu o doutorado em Educação pela UERJ, com a tese “A Tipografia da Montanha do Sol: Imigração, Imprensa e Educação de Letões em Varpa (SP) entre 1925 e 1941”. 
O coordenador de Infraestrutura e Logística foi Felipe de Carvalho Albrecht, nascido no Brasil, líder comunitário e empreendedor. Morou na Letônia entre 2008 e 2011. Hoje morando em Nova Odessa e casado com Renate A|lbrecht, foi presidente do Centro Cultural Leto de Nova Odessa e é um dos organizadores da Festa Ligo em sua cidade. 
O coordenador de Participantes foi Andreis Purim. Nascido no Brasil e morando em Curitiba, é engenheiro de computação e atua com cibersegurança, criptografia e inteligência artificial. Faz parte do Grupo Leto de Curitiba e é membro da Associação Brasileira de Cultura Leta desde 2014. Desde 2019, participou de dois acampamentos na Letônia.
Entre outras atividades, os participantes participaram de oficinas, onde aprenderam sobre variados temas.
Egija Laura Preise e Tomass Mencis coordenaram a oficina de música e canto tradicional. Laura nasceu e mora na Letônia. É a terceira vez que ela está no Brasil. Em 2022 permaneceu por um mês em Tupã e Varpa, realizando um trabalho com crianças em escolas, apresentando danças típicas, canções letas e kokle, um instrumento musical muito usado na Letônia. Tomass é leto e reside atualmente na Escócia. É compositor, guitarrista e cantor, e integra o grupo de folk music The Greasy Whiskers.   
O tupãense Eduardo Dantas conduziu a oficina de fotografia. Além de fotógrafo, é produtor rural. Faz parte do conselho do Museu Jnis Erdbers, em Varpa. Nesse museu há diversos negativos de vidro com imagens de autoria do fotógrafo Janis Erdbergs, fundador do museu, e que foram digitalizados por Eduardo 20 anos atrás.
A coordenadora de culinária tradicional foi Roseli Rodrigues, residente em Tupã, advogada e atual presidente da Corporação Evangélica Palma, responsável pela administração da Fazenda Palma. Há mais de 40 anos ela convive com a comunidade de descendentes de imigrantes letos de Varpa, acompanhando de perto sua história, sua fé e suas tradições.
Sibila Osis ministrou uma oficina na tipografia, onde os participantes conheceram mais a fundo a história deste local e também tiveram a oportunidade de aprender a montar um texto e imprimir usando técnicas e equipamentos antigos e que hoje são considerados rudimentares e ultrapassados, mas que como toda tecnologia, um dia já foi algo revolucionário, inovador e muito importante para um determinado público.  
Tarciso Vieira Mendes foi o responsável técnico e operacional do evento. É formado em Magistério pelo Cefam de Tupã e bacharel em Biblioteconomia pela Unesp de Marília, com pós-graduação MBA em Gestão de Projetos. Atualmente, atua como chefe de Setor de Cultura da Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore da Estância Turística de Tupã. Desde 2018, integra o Conselho Municipal de Políticas Culturais da nossa cidade.
Haveria uma aula de astronomia, ministrada por Denis Trisoglio, um dos fundadores e professor do Clube de Astronomia de Tupã há 24 anos, mas infelizmente o tempo esteve nublado e isso impediu a visualização do céu noturno.
A programação aconteceu principalmente em português, com a língua leta aparecendo no dia-a-dia de forma leve e natural. Laura e Tomas, por não dominarem a língua portuguesa, conversaram com os participantes em leto e inglês. 
Segundo os organizadores, um detalhe que deixou tudo ainda mais especial é o fato de que em 2026 a tipografia da Fazenda Palma está completando 100 anos de existência, e fazer um acampamento para a juventude leta e brasileira exatamente nesse local, no ano do centenário, é uma honra.
A tipografia funcionou até 1981, e a partir desse ano esteve desativada até 2022, quando os equipamentos foram restaurados por Sibila Osis e voltaram a funcionar, agora não diariamente, mas eventualmente para mostrar aos turistas que visitam a Fazenda Palma como era imprimir textos e imagens há 100 anos. Entre 1926 e 1981, a tipografia fez impressos em leto e português para adultos, e em português para crianças, com textos religiosos e notícias sobre a Letônia e comunidades letas espalhadas pelo mundo. Além de serem distribuídos na Fazenda Palma, em Varpa e em Tupã, os impressos eram enviados pelo correio para diversos pontos do Brasil e também para mais de 30 países, incluindo locais distantes como Índia e Austrália.
A meta dos coordenadores do Acampaleto é fazer mais dois acampamentos  em 2027 e 2028 apenas com participantes brasileiros, e em 2029 fazer um acampamento com participantes de todas as partes do mundo. O local do Acampaleto 2027 já está definido. Será em Ijuí (RS), cidade que reúne uma comunidade leta, assim como Varpa.
Fotos do evento podem ser vistas no site www.acampaleto.com.br e no perfil acampaleto no Instagam.
Pessoas e entidade que colaboraram na organização, cozinha e limpeza: Carlos Puika,  Carlos Melbardis, Deise Emília Klavin Alvarenga,   Elisa Rossignoli,   Elza Tekla Margarete, Mekss Kruklis, Josué Stamer Soares Flores,  Kleber Carreteiro,  Lucas Karklis Rodrigues,  Olavo Emílio Baltruk,   Vivian Hariete Simis, Prefeitura da Estância Turística de Tupã e   vereador Ueligton Hanamoto.

Sua notícia

Esta área é destinada para o leitor enviar as suas notícias e para que possamos inserí-las em nosso portal. Afim, da população ter informações precisas e atualizadas sobre os mais variados assunto

Envie a sua notícia por e-mail:

Todas as notícias

publicidade