Dívida Pública Brasileira

Economia


(*) Roberto Kawasaki 

07/08/2026 - Tem havido discussões muito acaloradas, muitas delas causadas pela nossa classe de economistas, das mais variadas tendências, e causam enormes preocupações, tendo em vista que o déficit público brasileiro contínuo tem elevado o montante da dívida pública fundada, seja em termos absolutos quanto em termos relativos. O mais criterioso é relacionar a dívida pública com o PIB. 
Pois bem. No quadro acima, temos os maiores devedores públicos do mundo em relação aos seus respectivos PIBs. É interessante notar que o maior devedor do mundo é o Japão. O Brasil é o 29º maior devedor. Também é de verificar que nesta lista há desde países mais desenvolvidos do mundo até países mais pobres. Não há uma regra clara. Por outro lado, observa-se que há países democráticos e países, vamos dizer assim, menos democráticos. É uma verdadeira salada econômica. 
Afinal de contas, o crescimento da dívida pública é realmente preocupante para todos nós ? Obviamente que sim. O melhor dos mundos seria se não tivéssemos dívida pública. Contudo, 81% do PIB de dívida pública é algo inadministrável? Certamente que não. Basta ver o caso do Japão. 
O problema é que o Brasil é um país de enormes carências sociais. Com isso, nossos agentes públicos, federais, estaduais e municipais, dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, não se mostram minimamente preocupados com a questão do endividamento público. A cada ano vão engordando o montante da dívida pública... 
Outrossim, dívida pública elevada sobe o patamar da rolagem da dívida pública, com o lançamento de títulos de dívida pública cada vez mais rentáveis, haja vista o Tesouro Direto. Conquanto a economia brasileira estiver crescendo e a população total também estiver crescendo, há margem de gestão. Mas, a partir do momento que a população total começar a diminuir, diminuirá nossa capacidade de gerar condições per capita de amortizar a dívida pública. 
Há que se ficar alerta com o ritmo de crescimento da produtividade do PIB e com o estágio da renda per capita. Ou seja, a capacidade de cada cidadão e cidadã brasileiros gerarem condições de solvência da dívida pública. 
Por enquanto, o sinal não é vermelho, mas o sinal amarelo já está aceso. Em tempos instáveis e de muitas incertezas, não é conveniente e oportuno  abusar na administração pública. 

(*) Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, professor da Faccat, delegado do Conselho Regional de Economia – SP, colunista da 
Tupacity e do DIÁRIO

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