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12/05/2026 - Meus primeiros contatos com o bairro São Martinho se deram ali por volta do começo dos anos oitenta, época em que meu saudoso tio Caetano - pai dos primos "Zé do Fole", "Cidão" e "Bia" (esse último também já nos deixou) - resolveu se mandar praquelas bandas, onde foi trabalhar numa baita fazenda de café.
E aí já viu, né? Eu, moleque ligeiro, comecei a bater ponto por lá quase todo fim de semana, sempre ia no pé dois, sem frescura. Afinal, o São Martinho fica a uns oito quilômetros de Tupã, pertinho.
E claro, não era só visita de boa vontade. A fazenda era um verdadeiro paraíso. Além de ser cortada por dois belos riachos - onde a gente ainda se dava ao luxo de escolher em qual nadar - tinha de tudo, era pé de fruta a "dar com pau", onde a gente ficava trepado o dia inteiro comendo até não aguentar mais; ainda tinha uns cavalos bem mansinhos pra montar (e mesmo assim a gente dava um jeito de cair); e uma infinidade de coisas pra explorar.
E, no meio disso tudo, ainda sobrava tempo pra colocar em dia minha arte de fazer coisa errada, sempre na companhia do meu não menos arteiro primo "Cidão". Uma das nossas "missões", que nunca deu certo, era tentar fazer pegar um tratorzinho Agrale que ficava encostado por lá.
O bichinho era uma gracinha, lembrava aquelas motocas de plástico que só a molecada rica tinha na época. Parecia até que chamava a gente pra ligar e sair passeando. A gente mexia daqui, puxava dali, mas o danado parecia ter pacto pra não funcionar pra nós. Era só pra ficar na fissura.
Depois das artes e das tentativas frustradas, como dois verdadeiros santos, a gente ia se redimir no futebol. Domingo à tarde era sagrado, pois era dia de ver o bom time do São Martinho entrar em campo. E lá estavam eles, meus primos "Zé do Fole" e "Bia" - o "Zé" desfilando toda sua categoria no time titular, e o “Bia” comendo a bola no "cascudão". "Bia" jogava muita bola, mas nunca teve a chance merecida no time principal dos caras.
Às vezes, ainda no modo "santo", eu também colava nos domingos de manhã pra tentar bater uma bolinha com a molecada do bairro, num time organizado pelo Seu Chico Servilha, lendário morador da época. O "Cidão" dificilmente ia, porque acordar cedo não era com ele.
O bairro São Martinho do passado sempre foi daqueles lugares vivos, cheios de movimento em todos os sentidos. Os bailes no salão social eram coisa de outro mundo, animados pelo saudoso "Zezinho" Miquelim e seu conjunto e, depois, pelo "Chicão", que assumiu e segurou a bronca com categoria, depois que Miquelim pendurou a sanfona.
A alegria era contagiante, um "risca-faca" de respeito. Só tinha uma coisa que me intrigava nos bailes, pois os músicos subiam no forro do salão pra tocar, numa espécie de mezanino de madeira, acessado por uma escada estreita. Aquilo, pra mim, era meio sinistro. Também tinha a parte religiosa, com animadas celebrações na sua linda e imponente igreja.
E tinha ainda as figuras marcantes do bairro, como o lendário vereador Romão Lopes Martins, nome forte que até hoje batiza a vicinal que liga Tupã ao bairro. O homem era respeitado. Tinha também o seu "Chico", que citei acima, que era uma espécie de porta-voz do bairro. O "Dinho" do caminhão, um fervoroso torcedor, o "Grilo", e entre muitos outros.
Mas, entre tudo o que o bairro oferecia, o que mais marcava era o futebol de domingo à tarde. Aquilo sim era um evento. O campo lotava: vinha gente de todo canto - famílias, curiosos e torcedores fanáticos - todos espremidos entre a beira do gramado e a plantação de eucaliptos que cercava uma das laterais do campo e ainda fornecia uma bela sombra para assistir ao São Martinho jogar. E vou te falar viu, o time era bom mesmo, dava gosto de ver.
Depois de um tempo, a família do tio levantou voo do bairro, à procura de novos ares. Com isso, o projeto São Martinho deu uma pausa pra mim, já que segui jogando só aqui pela cidade. Mesmo assim, o São Martinho nunca saiu de dentro de mim.
Mais pra frente, um bom tempo depois, o time de aspirantes do São Martinho ficou nas mãos do amigo professor Renato Ferreira. E num desses encontros que a bola insiste em marcar, ele me convidou pra fazer parte do grupo. Dizia que eu seria o seu camisa 8. Rapaz, não pensei duas vezes.
No "cascudão", joguei de tudo um pouco sob a tutela do professor, sendo amistosos, torneios e até um campeonato rural promovido pela antiga Liga Municipal Tupãense de Futebol, onde o chicote estralava com gosto.
E posso falar sem medo, pois jogando em casa, no São Martinho, era "osso duro" pra qualquer visitante. Além de enfrentar um time ajeitado, os caras ainda tinham que aguentar a corneta da torcida na beira do campo. E vamos combinar, na dúvida o juizão quase sempre dava aquela ajudinha pros donos da casa. Coisa normal, futebol raiz, de várzea, daquele jeito que a gente gosta.
Um outro fato que jamais poderia deixar de citar é de que enquanto a bola rolava, nem todo mundo ficava na beira do campo. Tinha a turma do salão: baralho, dominó (às vezes valendo, às vezes só pelo vício), uma pinguinha aqui, outra ali, e muita resenha. Era confraternização dentro e fora de campo.
O campo do São Martinho sempre foi bonito, mas acabou perdendo um pouco do charme quando asfaltaram a vicinal entre Tupã e Queiroz. Pra obra sair, desviaram a estrada e cortaram um pedaço do campo. Resultando num "barrancão" enorme que se abriu ali do lado do gol do fundo. Ficou diferente, mas jogar ali ainda continuava sendo especial.
O problema era quando a bola caía lá embaixo. Aí, meu amigo, alguém tinha que descer o barranco pra buscar, e a subida de volta não era pra qualquer um.
Infelizmente, o tempo levou tudo isso embora, e assim como em tantos outros cantos, o futebol também acabou no São Martinho.
Ficou a lembrança.
Texto: Paulo Cesar - PC
"Minhas divertidas aventuras pelo mundo do futebol de várzea, aquele que a gente ama chamar de 'pelada', 'rachão', 'arranca-toco', 'quebra-dedo', e tantos outros nomes divertidos."
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