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30/09/2026 - O cenário é bem conhecido dos moradores do Centro-Oeste paulista – um extenso canavial que margeia a rodovia. É nesse universo da plantação de cana-de-açúcar que se desenrola a jornada de dois jovens da periferia a bordo de uma caminhonete gigante no curta-metragem “Cana”, produzido em Assis. O curta, dirigido e escrito por Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone, encerrou sua participação no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro como o curta mais premiado da edição. Foram cinco prêmios, incluindo o de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Oficial.
A obra ainda recebeu o Prêmio da Crítica Abraccine de Melhor Curta-Metragem, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, e o Prêmio Canal Brasil de Curtas. O ator Gerin Black recebeu o Candango de Melhor Ator, enquanto Guilherme Xavier Ribeiro e Daniel Rone foram premiados pela Melhor Trilha Sonora.
Os diretores falaram sobre como foi toda produção do curta, que contou com profissionais formados no interior de São Paulo e do Paraná, e foi filmado na região de Assis. Foram três anos de dedicação ao projeto, como explica Guilherme.
“Cana foi escrito em 2023, produzido entre 2024 e 2025, e finalizado em 2026. Então, como todo mundo que passa mais de três anos dedicando-se a um trabalho, esperávamos que houvesse algum reconhecimento. Só não poderíamos prever que a repercussão fosse tão bacana”, conta.
O diretor destacou que a premiação foi o reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido nesses três anos e um incentivo à arte no interior de São Paulo.
“Cana” acompanha a jornada de dois jovens da periferia, interpretados pelos atores Gerin Black e Silas Pinheiro. Nessa viagem, os diálogos apresentam questões como medo, desejos e ressentimentos que fazem parte da vivência dos personagens que também vão tentando antecipar o que podem encontrar pelo caminho.
Daniel explica a escolha do cenário e também da temática a partir da perspectiva de personagens que vieram do ambiente periférico.
“O ‘Cana’ surge de histórias reais que eu vivenciei na região de Assis. Meus pais eram boias-frias, trabalharam no corte de cana durante a minha infância. Depois eu me mudei para a periferia de Assis, e a palavra ‘Cana’ foi ganhando outros significados. É a forma como os jovens se referem à polícia, e à prisão, duas coisas que produzem muita tensão no jovem periférico que cresce afetado pela violência policial, e pela presença ostensiva do crime.”
Na narrativa, a escolha pelos canaviais tão presentes no cenário das estradas do Centro-Oeste e Oeste paulista, é mais que apenas a fotografia do filme. É um componente que simboliza, por ser uma monocultura, a falta de alternativas para esses jovens.
“Os canaviais significam muito para nós. Não só os canaviais, mas a monocultura em toda sua extensão. Onde há monocultura, há pouca diversidade. Não há lugar ou espaço para a realização das diversas aspirações das pessoas, especialmente da juventude periférica.”
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