Professora de Iepê transcreverá termo de posse presidencial pela 2ª vez

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28/10/2026 - A posse de um presidente já é considerada um momento histórico, principalmente em uma nação democrática como o Brasil. Mas, para uma brasileira em especial, a ocasião pode ser ainda mais significativa: a professora Ana Paula Alves Barros, de 42 anos, foi selecionada pela segunda vez para transcrever o termo de posse presidencial. O termo de posse é o  registro formal de que o candidato eleito, de fato, assume a Presidência da República.
A moradora de Iepê, região de Rancharia,  relembra como foi o processo de transcrever à mão o termo de posse presidencial de 2023. Agora, após quatro anos, fala sobre a expectativa de voltar a Brasília para fazer o processo novamente.
“É uma emoção muito grande, porque eu lembro também do termo de posse anterior e de toda a emoção daquele momento.”

Documento histórico
Ana Paula descreve que o local onde o termo de posse fica também guarda os registros de todos os outros presidentes da República, desde Marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil, de 1889 até 1891, além de centenas de documentos históricos do Império.
O ambiente é totalmente controlado, considerando temperatura e iluminação externa, com profissionais que cuidam especialmente desses documentos, segundo a moradora de Iepê. “Inclusive de materiais que não podem ser retirados dali porque não suportariam as condições externas. Então, eles ficam ali para sobreviver, permanecer por muito tempo.”

“É a responsabilidade da transcrição, mas também o prestígio de participar de um evento com essa relação histórica e saber que faço parte desse momento, que vai ficar nos arquivos do Senado federal.”
Antes de ser oficialmente selecionada, Ana Paula participou de um processo com outros calígrafos. Segundo a professora, é necessário seguir critérios específicos de como o material deve ser feito.
Para isso, foi necessário enviar um texto como amostra, que já é considerada uma parte do termo de posse. “É trecho inicial que eles querem avaliar. Depois, sai a seleção. Esse processo demora alguns meses, até a divulgação do resultado, mas tudo acontece antes mesmo do resultado das eleições.”
“Antes do termo de posse do presidente atual, fui convidada e enviei o material. Depois, aguardei a seleção e recebi o e-mail informando que tinha sido selecionada. Dessa vez, aconteceu a mesma coisa”, continua.

Segunda vez 
selecionada
Na primeira vez, em 2023, Ana Paula relembra que ficou sete dias em Brasília, com todos os custos pagos pelo governo federal, até a cerimônia de posse presidencial, que, em 2027, está prevista para 5 de janeiro.
“Em um dia marcado, fazemos toda a transcrição do documento para o livro de posse. Depois, ficamos lá mais alguns dias, até o dia da posse. Na cerimônia, aguardamos dentro do Senado, enquanto todos os integrantes da mesa assinam”, descreve.
Depois desse rito, o livro volta para a calígrafa, para que ela possa identificar a assinatura de cada pessoa que compôs aquela mesa, do presidente ao secretário, por exemplo.

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