Caso Cláudia Lobo: TJ-SP mantém condenação de ex-presidente da APAE de Bauru

Policial


13/05/2026 - O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve, na segunda-feira (11), a condenação do ex-presidente da APAE de Bauru, Roberto Franceschetti Filho. A decisão, em segunda instância, ainda cabe recurso.
Ele havia sido sentenciado em outubro de 2025 por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, dissimulação e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, e ocultação de cadáver da ex-secretária-executiva da entidade Claudia Lobo.
Em segunda instância, a defesa pediu a anulação do júri popular realizado em outubro e a redução da pena. No entanto, o recurso foi negado pelos desembargadores, que mantiveram integralmente a decisão de primeira instância.
Além do homicídio qualificado, Roberto também foi condenado por ocultação de cadáver e fraude processual. As penas somam 22 anos e seis meses de prisão em regime fechado, além de multa.
A Justiça fixou indenização de R$ 100 mil por danos morais à Letícia Lobo, filha da vítima. O valor deve ser dividido entre Roberto Franceschetti Filho e o ex-auxiliar de almoxarifado da entidade, Dilomar Batista, também condenado no processo.
Com a decisão em segunda instância, a defesa de Roberto ainda pode recorrer aos tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Homicídio e 
ocultação do corpo
Roberto Franceschetti foi preso no dia 15 de agosto de 2024 como o principal suspeito do desaparecimento e assassinato de Cláudia Lobo, vista pela última vez no dia 6 de agosto de 2024.
Sem levar bolsa ou celular e com a justificativa de que precisava sair para “resolver algumas coisas do trabalho”, Cláudia saiu da APAE em um veículo da entidade que foi encontrado apenas no dia seguinte, abandonado em uma rua do bairro Vila Dutra, com vestígios de sangue.
Imagens de câmeras de segurança mostram a vítima e Roberto no carro e, em seguida, uma troca de posições entre os dois. A Polícia Civil aponta que, nesse momento, teria ocorrido o disparo que matou a ex-secretária. 
Dilomar Batista confirmou os fatos relacionados à ocultação do corpo da vítima durante as audiências do caso.

Desvios milionários
Além do processo por homicídio, Roberto Franceschetti também é investigado por um esquema de desvio de verbas na APAE, o que teria, inclusive, motivado o assassinato de Cláudia.
As investigações sobre o suposto esquema de desvios, que envolvem também parentes de Cláudia, continuam em andamento pelo setor especializado em crimes de lavagem de dinheiro da Polícia Civil - o Seccold - e também pelo Gaeco.

Além das nove pessoas que chegaram a ser presas por suspeita de envolvimento no esquema, outras quatro são investigadas. Com exceção de Roberto, preso pelo desaparecimento e morte de Cláudia, os demais suspeitos são investigados em liberdade.
O Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco) pediu o ressarcimento de R$ 10 milhões aos envolvidos por desvios na APAE.

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