Polícia identifica quadrilha que usava redes sociais para localizar vítimas e roubar relógios de lu

Policial


21/07/2026 - O roubo de relógios de luxo atingiu níveis recordes no mundo nos últimos dois anos. Dados da maior instituição especializada no rastreamento e recuperação desses itens, a The Watcher Register, apontam que, em média, mais de um relógio de alto padrão é roubado ou extraviado por hora no planeta.
Em São José do Rio Preto essa estatística global ganhou desfechos dramáticos nos últimos meses. A Polícia Civil da cidade concluiu e apresentou ao Ministério Público, ontem, dois inquéritos que revelam os bastidores de uma onda de assaltos cometida por uma quadrilha especializada.
A imprensa teve acesso às imagens e aos documentos que compõem a investigação. Segundo a polícia, os alvos dos suspeitos são médicos e empresários de bairros nobres. Relógios e joias importados, de até R$ 100 mil, foram roubados das vítimas.

Como a quadrilha agia
De acordo com as investigações, a quadrilha não escolhia as vítimas ao acaso. Os criminosos usavam as redes sociais e monitoravam o perfil profissional dos alvos na internet para mapear a rotina, identificar o endereço das empresas e os acessórios utilizados por eles.
“Já fazia um tempo que eles estavam monitorando o espaço e o Instagram. A exposição da gente é profissional e o Instagram é aberto. Então, com certeza eles já sabiam que ali tinha um relógio, que tinha alguma coisa. Se não, não viriam aleatoriamente... É uma sensação de impotência muito grande. Você comprou, pagou por aquilo que gosta e, de repente, a pessoa chega e leva embora. É uma situação bem ruim”, relatou uma das vítimas, que não vai ser identificada.
Segundo a polícia, para não levantar suspeitas, o grupo criminoso montou uma logística dividida em duas frentes: motos para a abordagem rápida e carros para dar cobertura nas proximidades dos locais dos crimes.
“Eles investigavam a vida das vítimas e sua rotina. Precisavam ficar em volta do local do crime, circulando e vigiando sem chamar atenção. Ficando dentro de um veículo, mesmo com crimes sendo praticados na mesma avenida, eles despistavam qualquer suspeita”, explicou o delegado Jonathan Marcondes.

Ataques em série 
e ameaças de morte

Em um caso registrado em plena luz do dia, por volta das 11h, uma mulher foi abordada na porta da empresa assim que chegou para trabalhar. Armado, o criminoso exigiu a aliança e o relógio importado. O prejuízo passou de R$ 40 mil.
Em depoimento, a vítima relatou momentos de terror sob a mira do assaltante.
“Mantive a calma o tempo todo, mas tirei o relógio e entreguei. Em seguida, ele pediu a aliança. Como eu tenho um valor afetivo muito grande, pedi para que não levasse. Aí ele pegou na arma e falou: ‘Eu vou te queimar se você não me der a aliança’. Eu dei a aliança na hora”, contou.
Uma semana depois, em 4 de fevereiro deste ano, uma nova abordagem foi gravada por câmeras de segurança. A vítima foi perseguida por um motociclista que esperou a abertura do portão de um estacionamento para invadir o local. Em uma ação de menos de cinco minutos, o suspeito fugiu levando um relógio avaliado em R$ 100 mil, uma aliança de R$ 5 mil e pertences pessoais.
No mesmo dia, um administrador de empresas foi abordado ao caminhar em direção ao carro. Com a arma na cintura, o assaltante deu o enquadro e disse: “Ou, bacana, sou ladrão de relógio”. Em seguida, o criminoso fugiu levando o acessório de cerca de R$ 40 mil.

Suspeitos presos 
x procurados

O cerco policial se fechou após os agentes identificarem automóveis que prestavam apoio aos assaltos, entre eles uma picape flagrada em um dos vídeos. Três veículos foram apreendidos, incluindo a motocicleta usada na abordagem, que era roubada e estava com a placa adulterada.
A investigação revelou que a quadrilha é formada por criminosos da região de São José do Rio Preto, que têm comparsas na região metropolitana de São Paulo.
Entre os presos está um morador de Guapiaçu (SP), Joaquim Ferreira da Silva Júnior, localizado em fevereiro e acusado de participar de um dos assaltos. O outro suspeito, Nivaldo Henrique de Araújo Júnior, foi preso em março. Ele é de Taboão da Serra (SP), mas morava em Rio Preto. O inquérito aponta sua participação direta nos roubos.
Outros dois suspeitos de participação nos crimes também foram identificados pela polícia: Danilo Freire Oliveira e Bruno Balbino. Ambos são de Taboão da Serra e, até a última atualização desta reportagem, permaneciam foragidos.

O que falta 
esclarecer

Mesmo com a identificação dos suspeitos e de pessoas que deram apoio aos criminosos, o destino das joias e dos relógios continua em investigação. Nenhum dos itens foi recuperado até o momento.
Agora, a Polícia Civil concentra esforços em uma nova fase da investigação: descobrir quem são os receptadores que financiam o crime e compram as mercadorias roubadas pela quadrilha.

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