MP afirma que Estre Ambiental pagou propina a vereadores de Bauru para aprovar concessão do lixo

Policial


30/10/2026 -  Novos documentos do Ministério Público mostram que parlamentares da Câmara Municipal de Bauru receberam propina da empresa Estre Ambiental para aprovar o projeto de concessão dos serviços do lixo, votado na sessão de 9 de dezembro.
Segundo a Promotoria, as negociações contaram com a atuação direta do ex-secretário de Governo Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), investigado na Operação Cavalo de Troia. 
De acordo com a manifestação, os repasses de propina eram intermediados pela Core Investimentos. O MP já havia indicado anteriormente que notas fiscais emitidas entre 8 de dezembro de 2025 e 27 de agosto de 2026, sob a justificativa de contratos de consultoria, totalizam quase R$ 4 milhões, o que evidenciaria um fluxo financeiro contínuo e estruturado, e não pagamentos eventuais.
Purini segue preso preventivamente por suspeita de fraude na licitação voltada à gestão de resíduos sólidos no município.
As novas informações constam em manifestação contrária ao pedido da Estre Ambiental para desbloquear bens retidos pela Justiça. A defesa da empresa alegou que o bloqueio de R$ 20 milhões em ativos, determinado na terceira fase da operação, comprometeria o pagamento de salários dos funcionários.
A promotoria também citou que Mário Luiz Silvério, ligado à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), teria solicitado e recebido mais de R$ 500 mil em propina para direcionar os estudos técnicos da entidade a favor da concessionária.

Depoimentos na 
Comissão Processante
Paralelamente às apurações do MP, a Câmara de Bauru colheu o depoimento de mais cinco testemunhas na Comissão Processante (CP) que apura eventuais irregularidades na concessão dos serviços de resíduos na cidade. O procedimento investiga se houve omissão ou negligência da prefeita diante das suspeitas no processo licitatório.
Em oitiva à comissão, a presidente afastada da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru (Ascam), Gisele Moretti, declarou que a modelagem da concessão foi desenvolvida pela arquiteta Cibele Bordezan, e que a Fipe teria sido acionada apenas para validar e dar chancela formal ao estudo prévio.

Pagamento de 
R$ 750 mil
Um dos pagamentos destacados pelo Ministério Público foi realizado em 8 de setembro, no valor de R$ 750 mil. Na mesma data, a Câmara Municipal de Bauru votou o projeto de lei que autorizava a concessão do serviço de gestão de resíduos sólidos que, por enquanto, não é o alvo da investigação.
Segundo o MP, mensagens analisadas na investigação indicariam que, naquele dia, Purini manteve intensa articulação política para assegurar a aprovação do projeto.
A investigação apura suspeitas de que a Core teria sido utilizada como intermediária para que o ex-secretário recebesse vantagens indevidas. As conclusões apresentadas nos documentos fazem parte das investigações que ainda estão em curso.
Renato Purini foi preso em 16 de outubro e está na Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba. A reportagem entrou em contato com a defesa do ex-secretário, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

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