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(*) Silvio dos Santos Martins
02/02/2026 - Ao longo de mais de seis décadas dedicadas à educação pública, acompanhei transformações profundas na escola brasileira. Mudaram os alunos, os currículos, as tecnologias e as exigências sobre o trabalho docente. Mas poucas mudanças me preocupam tanto quanto a fragmentação da carreira docente - situação em que o professor precisa dividir sua jornada entre duas, três ou até mais escolas para conseguir trabalhar.
O que antes era exceção, hoje virou regra. Dados recentes mostram que quase 20% dos professores da educação básica no Brasil atuam em mais de uma escola. Nas redes estaduais, onde se concentram o ensino médio e os anos finais do ensino fundamental, o cenário é ainda mais grave: praticamente um em cada três docentes precisa se deslocar entre diferentes unidades escolares ao longo da semana.
Esse fenômeno não é resultado de uma escolha individual do professor. Ele é consequência direta da forma como a carreira docente foi organizada ao longo dos anos. Nas redes estaduais, predominam professores especialistas, com poucas aulas semanais por turma. Para completar a carga horária e garantir uma remuneração mínima, muitos são obrigados a assumir várias turmas em escolas diferentes, às vezes distantes entre si e com realidades completamente distintas.
Os números apenas confirmam aquilo que o professor sente no cotidiano. Mais de um terço dos docentes do ensino médio e dos anos finais do ensino fundamental trabalha em múltiplas escolas, situação ainda mais frequente em disciplinas como física, química, biologia e sociologia. São profissionais que passam mais tempo em deslocamento do que em planejamento, que conhecem superficialmente várias escolas, mas não conseguem se integrar plenamente a nenhuma delas.
E é preciso dizer com clareza: essa fragmentação cobra um preço alto. O professor que corre de uma escola para outra tem dificuldade de participar de reuniões pedagógicas, de acompanhar o desenvolvimento dos alunos e de construir vínculos duradouros com a comunidade escolar. O trabalho coletivo, que é essencial para a qualidade da educação, acaba enfraquecido, não por falta de compromisso do docente, mas por falta de condições objetivas de trabalho.
Os impactos não recaem apenas sobre o professor. Estudos indicam que a atuação em múltiplas escolas compromete a continuidade pedagógica e afeta a aprendizagem dos estudantes, sobretudo daqueles em situação de maior vulnerabilidade. Quando o professor não consegue permanecer, planejar e acompanhar, quem perde é a escola pública como um todo.
Outro dado revelador é que a maioria dos professores que atua em mais de uma escola o faz dentro da mesma rede de ensino. Isso mostra que o problema não está apenas na busca por vínculos adicionais, mas nos próprios processos de atribuição de aulas, na organização das matrizes curriculares e na lógica de distribuição da carga horária adotada pelas redes estaduais.
Há anos defendemos que a valorização docente não pode se limitar ao discurso. Valorizar o professor significa garantir condições reais para que ele possa trabalhar com dignidade, estabilidade e pertencimento institucional. O próprio Plano Nacional de Educação estabelece como meta priorizar a jornada em um único estabelecimento escolar. Mas essa diretriz só sairá do papel se enfrentarmos, com seriedade, temas como remuneração adequada, jornadas equilibradas e processos mais justos de atribuição de aulas.
A escola precisa de professores presentes, integrados e reconhecidos. A fragmentação da carreira docente não pode ser tratada como algo "normal" ou inevitável. Ela é resultado de escolhas políticas e administrativas e, como tal, pode - e deve - ser enfrentada.
Defender o professor é, antes de tudo, defender a qualidade da educação pública e o futuro do País.
(*) Silvio dos Santos Martins é professor, pedagogo e presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP)
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