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(*) Adriano de Oliveira
03/07/2026 - Muitos adultos acreditam que seu medo de rejeição nasceu nos relacionamentos amorosos, nas frustrações profissionais ou nas perdas da vida adulta. Mas, em muitos casos, essa ferida começou antes. Começou na adolescência, quando a pessoa ainda estava formando sua identidade e tentando entender se era boa o bastante para ser escolhida, ouvida, respeitada e amada.
A adolescência é um território emocional intenso.
É a fase em que o olhar do outro parece ter peso de sentença. Uma crítica pode parecer uma condenação. Uma exclusão pode parecer uma prova de inutilidade. Uma comparação pode se transformar em vergonha. Quando o adolescente não encontra acolhimento, orientação e validação saudável, ele pode criar uma crença perigosa: “existe algo errado comigo”.
Essa crença não desaparece automaticamente com o tempo. Ela pode acompanhar a pessoa de forma silenciosa e sofisticada. Na vida adulta, aparece como medo de ser abandonado, dificuldade de confiar, necessidade de agradar, ansiedade diante de conflitos, busca excessiva por aprovação e incapacidade de se sentir seguro mesmo em relações estáveis. A pessoa não vive apenas o presente; ela reage a dores antigas como se ainda estivesse sendo rejeitada todos os dias.
O adulto inseguro pode interpretar distâncias normais como desprezo.
Pode transformar pequenos desacordos em ameaças de abandono. Pode evitar conversas importantes por medo de perder o outro. Pode aceitar desrespeitos para manter vínculos. Pode se calar quando deveria se posicionar, sorrir quando está ferido e pedir desculpas até por sentir. Ele não faz isso por fraqueza, faz porque aprendeu, em algum momento, que ser amado exigia não incomodar.
Esse padrão é emocionalmente exaustivo. A pessoa passa a viver em vigilância afetiva. Observa tom de voz, tempo de resposta, mudança de humor, curtidas, silêncios e sinais mínimos. Tudo parece indicar risco. Tudo parece ameaçar o vínculo. O problema é que, quando a insegurança assume o comando, a relação deixa de ser espaço de troca e passa a ser ambiente de sobrevivência emocional.
No ambiente profissional, o medo de rejeição também se manifesta, construindo um adulto que pode evitar feedbacks, temer avaliações, sofrer intensamente com críticas e buscar validação constante de gestores, colegas ou clientes.
Pode dizer “sim” para tudo, assumir demandas além do limite e abrir mão da própria saúde para não frustrar expectativas. Parece comprometimento, mas muitas vezes é medo. Parece alta performance, mas pode ser uma tentativa desesperada de não ser descartado.
A insegurança adolescente não tratada pode produzir adultos que vivem em função do olhar externo. Adultos que precisam ser aprovados para se sentirem seguros. Adultos que confundem reconhecimento com valor. Adultos que não descansam porque acreditam que, se pararem, serão esquecidos. Adultos que têm medo de perder o amor, o emprego, a amizade ou o lugar que ocupam.
A psicoterapia tem um papel fundamental nesse processo porque ajuda a pessoa a diferenciar passado e presente. Ajuda a entender que uma dor antiga pode estar contaminando relações atuais. Ajuda a construir autoestima, limites, autonomia emocional e uma percepção mais realista de si mesma. Na terapia, a pessoa aprende que não precisa se abandonar para ser aceita, nem se violentar para manter alguém por perto.
Cuidar da insegurança adolescente é prevenir adultos presos ao medo da rejeição. E cuidar do adulto inseguro é oferecer a ele a possibilidade de construir vínculos mais saudáveis, escolhas mais livres e uma vida menos dependente da aprovação externa.
Porque a rejeição dói, porém viver a vida inteira tentando evitar qualquer possibilidade de rejeição pode doer ainda mais.
A liberdade emocional começa quando a pessoa entende que não precisa ser perfeita para ser amada, nem aceita por todos para ter valor.
Se você chegou aqui, isso pode fazer sentido. Vamos conversar?
(*) Adriano de Oliveira,
psicólogo clínico e neuropsicólogo -
CRP: 06/150383 -
Instagram: @psicologoadrianodeoliveira
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